O CON*DOR

Boletim Informativo da Turma 57-BQ/Aspirantes 62

Ano III - Nº 5 – SET/OUT 98

 


SÃO PAULO

O sucesso foi maior do que se imaginava. Graças ao empenho do Sucupira, na terra da garoa, e do Amorim, na cidade maravilhosa, o grande encontro de agosto foi sensacional. Trinta e um companheiros da 57-BQ, a Turma Quase Perfeita, "invadiram" Sampa e arrasaram. Foi muita alegria e muita emoção. Os mais exultantes eram os paulistas, orgulhosos por receberem os cariocas e, também, os assemelhados, que durante mais de quarenta anos não lhes dão trégua. Estavam loucos para demonstrar que São Paulo, muito diferente do que repetiam, desde BQ, os pelintras nativos de outras plagas, era também a terra do sol e não só da garoa; e que tinha muito mais para oferecer do que "um chôpiss e dois pasterl". E conseguiram.
O Hotel ficava no início da Rua Augusta. Não é exatamente a parte mais luxuosa da rua, mas não comprometeu. O dono do hotel é tio do Schineider, e fomos tratados com muita cortesia. O coquetel de recepção estava farto e variado. Os que se anteciparam ou vieram por conta própria já estavam apreensivos, no início da noite de sexta feira, com a demora do ônibus do Rio. Os paulistas, até então em maioria, sorriam, prometendo vingança das eternas gozações que aturaram (e ainda aturam). Quando a "cariocada" desembarcou na porta do Hotel, foi uma festa. E um alívio... E toca a fazer perguntas; a indagar sobre a demora; como fora a longa viagem? Conclusão: a culpa foi dos três litros de whisky consumidos no percurso e de um com-panheiro, muito querido, que deveria es-tar na beira da estrada e, por causa de umas Brahmas, demorou a aparecer. Tu-do explicado, tudo desculpado. A enorme felicidade de rever alguns, que estavam sumidos; a emoção de encontrar ou-tros, que apareciam pela primeira vez; tudo era motivo para alegria e gargalhda. No meio daquela "zorra" circulava, luminosa, uma belíssima jaqueta americana, toda vermelha, muito encapetada, de um príncipe chamado Sucupira.

C QUE SABE...
Esse era o famigerado nome da Cantina do Bexiga, que o Sucupira arranjou para o grande jantar da sexta-feira, 28 de agosto. Não poderia ter sido melhor. Os clientes, que já estavam instalados, certamente tiveram ganas de vaiar, quando o salão foi invadido por aquela fila interminável de 31 homens, todos com caras de bequeanos. A decoração não poderia ser mais ítalo-paulistana: queijos e garrafas de vinho pendurados no teto, entremeados de franjas vermelhas, brancas e verdes - as cores da Itália (o Mossri achou que era ornamentação de Bumba Meu Boi). O Sucupira parecia um maestro, cheio de entusiasmo, regendo aquela barafunda sinfônica de gritos, berros, risos e barulho de bandejas caindo no chão, com proposital estardalhaço. E depois que os copos se encheram de vinho, cerveja, sangria e (uns poucos) de água mineral; depois que os pratos de salada foram substituídos pelos de massa; e estes pelos de carne, começou a cantoria. Ôrra, ô meu, se não tivesse cantoria a Cantina não seria italiana e a Turma não seria a de 57! Dois tocadores de violão e um cantor, meio xacocos, não conseguiam, no meio daquela zoeira, fazer ouvir as belas canções napolitanas. O Sole Mio foi logo substituído por Miragem - a canção do Zé Nelson - que quase ganhou o Festival do Clube Militar, e La dona è mobile deu lugar à Canção do Aviador. Parece que foi o Gatti (ou o Schineider?) que, já meio xambregado, puxou o hino do "Curíntia". Quase fomos expulsos do restaurante, pois, estávamos em pleno coração do Bexiga e da torcida do "Parmêra". Nesse instante, um mais esperto começou a cantar Cidade Maravilhosa. O salão veio abaixo; foi total a adesão da paulistada. Vai gostar do Rio, assim, no Carandiru...
Fomos os últimos a deixar as mesas. Mas a festa não havia acabado. Na saída descobrimos um anexo, escondidinho da Cantina, usado como bar; e lá um violeiro e um batuqueiro derramavam melodias românticas para um casal de namorados, que dançavam, já meio pilecados, mas muito enternecidos. É claro que o Cardoso, o Zé Nelson, o Amado e a galera que se amarra num samba canção, pararam. E os profissionais só puderam cantar mais uma. O Zé Nelson disse pro seresteiro: "Deixa eu te dar uma ajudazinha!" E tomou o microfone que só cedia ao Cardoso, às vezes. Miragem foi cantada com muita emoção; agradou tanto que teve que ser repetida, a pedido do tal casal. Pois é, o cantor, que já gravara um CD, aproveitou para vender os últimos exemplares encalhados. Ficou tão encantado com Miragem que pediu ao ZN uma fita, para aprender a música e cantar nas noites de boemia. O Zé babava...
Às duas horas da madrugada, conseguimos sair da cantina e retornar ao ônibus que foi ziguezagueando pelas ruas de Sampa, enquanto a Turma cantava aquela marchinha famosa: Paulista náuseo, é o Gatti... O João Lúcio não resistiu; levantou-se e fez um pequeno discurso, sincero e emocionado, declarando que voltou para ficar e jurando amor eterno à 57-BQ. Foi demais!

TUDO JAPONÊS
O almoço do sábado, no restaurante japonês, serviu para aprimorar o paladar de muita gente, que ainda não se aventurara pelos sabores orientais. A todos impressionou a "arquitetura" dos pratos apresentados. O sabor exótico, para alguns, lembrava os picadinhos de carne do rancho de BQ, acompanhados com legumes da horta do Araguarino. Paciência. O restaurante era agradável e estava todo reservado para a Turma.

FIM DE FESTA
À noite, a Turma teve uma recaída e voltou a procurar uma Cantina. Mas quem disse que, num sábado, os paulistas iriam deixar a cariocada encontrar uma Cantina disponível para acolher um bando de coroas, perdidos em Sampa? Contentaram-se em comer - acredite quem quiser - pizza de bacalhau, numa Churrascaria. Como é bom voltar a ter vinte anos. Tudo é festa...

OPINIÕES
O Zé Nelson registrou, durante a volta para o Rio, a opinião da cariocada e dos assemelhados que estiveram em São Paulo:

Brasil, 57-18.
A coisa mais importante dessas reuniões é que os laços que agente tem se tornam mais fortes. Em diversos momentos nos quais, aparentemente, as conversas são muito simples, eu me vejo surpreendido com lágrimas nos olhos, que muitas vezes não chegam a correr. A gente finge, põe os óculos para ninguém ver, baixa o rosto, dá uma voltinha... Esses são os momentos mais felizes - são os momentos em que eu choro.

Duncan, 57-83.
Estas reuniões são incoerentes... Vou explicar: tem o lado bom, que é todo este aspecto emocional, já tão comentado anteriormente. O lado ruim é que são -"emocionais" demais! Daqui a pouco agente vai acabar morrendo por causa de uma reunião destas.

Ivan, 58-276.
A coisa mais importante e comovente foi a alegria dos paulistas. Eles estavam mais contentes do que nós; normalmente parece que eles são frios, mas, desta vez, mostraram que não é essa a realidade. Fiquei feliz em ter proporcionado essa alegria a eles e a nós.

Cardoso, 57- 136.
Impressionante foi o Mossóri querendo comer carne de sol... no restaurante japonês. E só não comeu porque o tempo estava nublado!

João Carlos, 57-40.
A organização foi perfeita; excelente. Na Cantina Italiana todos os paulistas nos acompanharam no canto do Hino dos Aviadores . Mesmo quem não era da Turma.


ANIVERSARIANTES

Parabéns aos que nasceram em outubro:
Dia 3 - Duarte Neto, 56-96
Dia 3 - Hélcio, 58-260
Dia 3 - Rego Barros, 58-38
Dia 9 - Amaury, 57-21
Dia 14 - Pinto, 57-62
Dia 16 - Augusto, 57-117
Dia 20 - Andrade, 57-70
Dia 21 - Weber, 60-118
Dia 23 - Sucupira, 57-71
Dia 25 - Thedin, 58-279
Dia 29 - Elson, 57-139
Dia 30 - Lima, 57-80

Parabéns também para os de novembro:
Dia 9 - Magalhães, 56-122
Dia 11 - Gatti, 57-91
Dia 12 - Carlos Pereira, 57-12
Dia 13 - Magrinelli, 57-59
Dia 17 - Rocha, 57-56
Dia 22 - Bruno, 57-144
Dia 23 - Nascimento, 59-23
Dia 26 - Eduardo, 57-32
Dia 27 - Mossri, 57-16
Dia 27 - Drummond, 57-163
Dia 28 - Fernando, 57-84
Dia 28 - Gil, 57-148


PEQUENAS HISTÓRIAS DE UM GRANDE TEMPO

Nos idos de 57, creio que não existiam os radinhos de pilhas, e se os havia nunca cheguei a vê-los. Não pesquisei sobre isso. Famosos eram os de válvulas - diodo, triodo, pentodo. Mais tarde, já nos Afonsos, o professor Kubrusly nos ensinou para que serviam e como funcionavam esses elementos estranhos aos nossos conhecimentos, até então. Sua fonte de alimentação era a energia elétrica, proibida de ser utilizada pelos alunos de BQ. A EPCAr foi pioneira no racionamento desse tipo de energia. Certa noite, após o silêncio, alguém estava ouvindo um rádio de galena. Aparelho rudimentar, montado pelo próprio aluno, que já não lembro quem era. A falha de memória, já não é um defeito só meu, tem muita gente que já me acompanha (não é, Luís Mauro?). O oficial de dia era o Tenente Sérgio - o popular Mecano - que, guiado pelo som, chegou até o local e, rispidamente, interpelou o nosso colega:
- "Você não sabia que não pode usar energia? Está torrado!!! Seu número e nome".
Foi contestado com a afirmativa:
- "Tenente, mas este é um rádio de galena!!!"
- "Não importa a marca, está errado".
Também, diante de tanta erudição eletrônica, não haveria argumentos retilíneos ou ondulatórios que pudessem ser transmitidos e captados. Desmontou a geringonça e foi tristemente dormir, pensando que o capitão Dário não justificaria a falta e o deixaria um fim de semana sem poder rever as camofas. Dito e feito. Sobrar-lhe-iam a imaginação e as mãos para aquele licenciamento sustado. Ainda bem que não existia nenhum maneta na turma. Felizmente estas ondas já fluíram para o éter e só ficou a ressonância do fato. Graças a Deus!

57-170, Pessoa de Mello


FOTOS EM GRUPOS

O Amorim está organizando uma grande reportagem fotográfica da Turma Quase Perfeita. Imagina-se que preciosidades ainda estejam guardadas nas gavetas de muitos colegas. Não seja egoísta, envie cópias daquelas fotos de grupos de companheiros da Turma. Colabore enviando flagrantes colhidos em BQ, na Escola de Aeronáutica, no encontro em São Pedro da Aldeia, no encontro com a Zuzuca, na Reunião de Sampa, nos encontros de fim de ano.


FRASE DO MÊS

Falar é prata; silenciar é ouro!
(Do Gatti, em Sampa, ao ser indagado por que não respondeu às muitas provocações já publicadas n
O CON*DOR. E ainda explicou: "Assim dizia a minha sogra...")


BARBACENA EM ROSAS

A turma foi convidada pelo amigo Geraldo Medeiros do Valle, da Academia Barbace-nense de Letras para a Festa das Rosas, de 8 a 12 de outubro, em Barbacena.Os BDs já estavam de malas prontas, mas não havia vaga em um só Hotel de BQ.


CEM ANOS DE CONTROLE NO AR

Há cem anos, Santos - Dumont conseguiu, pela vez na Humanidade, conduzir uma máquina, no caso,um balão, segundo sua propria vontade, enão ao sabor dos ventos. Maiores dados sobre este evento ou outros feitos do Pai da Aviação poderão ser obtidos com o nosso companheiro, 54 -22, Alfredo Muradas da Pena - Tel./Fax.: (021) 393-0842, em horário comercial.


MEU ANJO

Olha, uma coisa é certa - tenho de fazer algo muito bonito para o meu Anjo da Guarda. É um caso meio esquisito esse - eu com meu Anjo. Eu não acredito em nada; nada mesmo. Agora, acredito no meu Anjo da Guarda. Tenho absoluta confiança nele. Ele sempre me guardou e vai sempre me defender. A minha vida é uma briga constante e interminável. Tudo que desejo eu consigo; mas tudo é sempre difícil. Nada foi e tudo continua não sendo fácil. Coisas simples, como somar 2+2, para mim, se transformam numa "charada equacional", porque tenho de colocar (2+3) X 5 - (3X7) = 4. São inúmeras tentativas até conseguir. Mas eu consigo. E consigo tendo a absoluta certeza de contar com uma ajuda muito grande. Dele! Ele me guiou para que eu nascesse no Rio (ninguém acredita), mas vivesse em Minas; entrasse para a FAB; tivesse uma bela família: filhos carinhosos, netas adoráveis e uma mulher por quem sou apaixonado. Deu-me a capacidade de amar e de me apaixonar por tantas coisa boas da vida que eu prezo e guardo no coração. Reconheço que tenho uma dívida muito grande com meu Anjo da Guarda. Espero que um dia possa vê-lo - em vida. Não tem gente que fala com Deus? Por que não posso ver meu anjo? Enquanto não o vejo, imagino. Eu acredito que ele deva ser um cara muito bacana, pois EU sou um cara muito bacana, também (ouço risadas)... Sinto que mereço o Anjo da Guarda que tenho. E guardo a impressão de que ele também me merece (ouço mais risadas). Muitas vezes me pego dizendo: olha, não sei como você é; não sei como você se chama; não sei se é branco, preto, louro ou o quê - mas sei que eu adoro você. Um beijão e muito obrigado por estar sempre junto a mim. Caso a minha Turma de Barbacena não fosse "Quase Perfeita" eu pensaria que meu Anjo da Guarda, certamente, seria oriundo da 57-BQ. Mas como ele é perfeito...

56-86, José Nelson.


VITÓRIA! VITÓRIA!

Já conseguimos recolher 57 (nosso número da sorte) contribuições de companheiros espalhados por todo o país. Será que você está na lista de fiéis colaboradores? Se não está, venha! São apenas R$ 30,00, por ano, que devem ser depositados no Banco Real, agência 0838-9; c/c 9719054-5, em nome de José Nelson e/ou Eny Guedes.


AUTORIDADES

O nosso companheiro, 60-121, Lencastre, hoje Major-Brigadeiro-do-Ar, assumiu o Comando do Terceiro Comando Aéreo Regional, em belíssima cerimônia, no dia 11 Set 98, aqui, no Rio de Janeiro. Já o 57-01, Machado, atualmente Brigadeiro-Intendente, assumiu, em São Paulo, no dia 3 Set 98, em solenidade igualmente emocionante, a Direção da Diretoria de Abastecimento da Aeronáutica.
Aos queridos amigos, os votos de sucesso d
O CON*DOR.


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