O CON*DOR

Boletim Informativo da Turma 57-BQ/Aspirantes 62

Ano III - Nº 2 - MAI/ABR 1998


98 EM BQ

Um grupo de barbacenófilos doentes voltou a BQ para comemorar 41 anos da chegada da Turma Quase Perfeita à EPCAr. Escolheram o Lucape Pálace Hotel para ficar perto da Praça dos Andradas, da Igreja Matriz de N. S. da Piedade e da Rua XV. Mal puseram os pés na rua começaram a fazer descobertas. Bastou atravessar a Praça para encontrar um dos mais destacados oficiais da Escola. Não foi necessário esforço para identificar o Major Carlos da Cruz Machado, chefe da Seção de Ensino. A voz forte, a memória intacta e a opinião firme demonstram que não perdeu aquela severidade que conhecemos muito bem. Conversamos sobre tudo. Com 84 anos, o Major Cruz Machado que, por ser muito alto e magro, nós chamávamos de Cruz Navalha, tem um laboratório de Análises Clínicas. No governo de Jânio Quadros desentendimentos políticos levaram-no a passar para a Reserva, ainda no posto de Major farmacêutico. Foi bom encontrá-lo saudável e rijo, certamente pronto para deixar mais um bando de cadetes en segunda época. Prometemos enviar-lhe O CON*DOR . Assim, estará novamente ligado a esta Turma Quase Perfeita.

Sem qualquer compromisso com o horário, programação ou obrigações, saímos caminhando pelos arredores e resolvemos entrar no velho prédio da Câmara Municipal que, em 1842, sediou a Revolução Liberal. É com orgulho que os barbacenences o chamam de Palácio da Revolução Liberal. Na galeria dos Presidentes da Câmara, encontramos retratos de alguns dos nossos professores. Eles deixaram seus nomes ligados à história da Cidade. Lá estavam Altair Savassi e Fernando Victor. E vagamos por aquelas salas, olhando o tempo na pátina dos bronzes, no ranger do assoalho, nos degraus gastos e carunchados da escadaria...

Saímos e logo nos encostamos no quiosque da praça, ponto de velhos gazeteiros e de velhos aposentados; e ali, onde o carinho mineiro não deixa haver estranhos, tomamos calmamente aquele cafezinho gostoso, passado no coador. Olhamos curiosos as caras marcadas, as carecas reluzentes - gente do nosso tempo - mas não identificamos ninguém. Seguimos na direção da Praça do Globo. Antes, paramos em frente ao casarão da família Canedo. Ficamos observando o requinte dos adornos em volta das janelas, os enfeites do beiral, a majestade daquele pequeno castelo, quase em ruínas. É um absurdo que a cidade esteja destruindo seu passado, derrubando as suas mais belas casas para dar lugar a prédios sem expressão. BQ está perdendo a mineirice, está perdendo a sua identidade. Que pena! Lastimamos tudo isso, falamos mal da politicalha que sequestrou o Poder no país e continuamos a caminhada.

De repente, olhamos para o vão de entrada de uma outra casa antiga e vimos um belo marco de pedra. E nele uma inscrição datada: Boa Morte - 1813.. Não pedimos licença e fomos entrando. Precisávamos conferir, com o tato, o que os olhos viam. E lá fomos nós tocar a pedra que, há 185 anos, outras mãos talharam. Na sua porosa rigidez, parece que segura pedaços do tempo que passa. No alpendre havia uma porta meio encostada. Entramos e fomos perguntando:
- Que casa é esta?
E porque estávamos em Minas, sem nos perguntar quem éramos, todas as respostas foram dadas e todas as portas se abriram... Acabávamos de descobrir o Casarão da Praça Conde dos Prados, onde está sendo montado o Museu Municipal que vai mostrar o que BQ teve de melhor e de mais importante, principalmente a sua gente. No belo casarão ouvimos histórias e fizemos amigos. O professor e historiador Jorge Arnaldo do nascimento mostrou-nos cada peça do acervo que o público ainda não viu. O restaurador Hugo Teixeira contou como recuperou a armaria antiga. O Coronel Geraldo do Vale nos premiou com publicações já esgotadas. Todos empolgados sob o comando da Dra. Maria da Glória Bittar de Castro Pereira, Presidente, há cinco anos, da Fundação Municipal de Cultura de Barbacena. Olhando para o painel com fotos de personagens ilustres da cidade fizemos, em coro, uma observação:
- Mas não tem foto da Zuzuca! -
O professor Jorge admirou-se:
- Ué, vocês conhecem a Zuzuca? É minha amiga. Posso levá-los a ela. -
Saímos, ansiosos, pela porta do Casarão da Praça Conde dos Prados (a Praça do Globo) e fomos com o professor em direção à antiga Rua da Boa Morte, encontrar a Zuzuca!
Mas esta é uma outra história...

Nota: BQ é o indicativo telegráfico do radio-farol aeronáutico de Barbacena, sendo usado pelo pessoal da EPCAr como apelido da cidade de Barbacena.

(57-15, Neves)




BEQUEANOS DOENTES

Os BD estão com toda a corda. Desta vez planejam visitar BQ durante as Festas Juninas. Vamos aguardar.



ANIVERSARIANTES

Parabéns da Turma para os amigos:

EM MARÇO
02 - Freitas, 27-29 e Matta, 57-127.
04 - Waldimiro, 58-278.
06 - Pantoja, 57-07 e Pessoa de Mello, 57-170.
11 - Oldack, 57-121.
13 - Meira, 57-129.
14 - Pena, 57-167.
17 - Ferreira, 57-103, Luiz da Silva, 57-106 e Moreira, Cad 59-56.
18 - Cubas, 58-258 e Dalmo, 56-32.
20 - Cardoso, 57-136.
23 - Toledo, 57-79.
25 - Olegário, 59-349.
28 - Ungaretti, 57-98.
30 - Salatiel, 58-287 e Brival, 59-334.

EM ABRIL
07 - João Carlos, 57-40.
09 - Horta, 57-78, Conte, 57-142 e Longuinho, 56-30.
10 - Granha, 57-75.
11 - Martins França, 57-158.
12 - Schmitt, 59-344 e Lencastre, Cad 60-121.
14 - Brandão, 56-21.
15 - Bernardini, 57-159. e Vieira, 570-11.
16 - Cordenosi, 58-275.
18 - Telmo, 57-31.
19 - Silveira, 57-05.
20 - Pereira, 57-104.
22 - Waldir, 59-358.
24 - Godoy, 57-134.
26 - Bloise, 57-115.
28 - Perazo, 57-02.
29 - Gavião, 57-162.
30 - Silveira, 56-134.

EM MAIO
03 - Gandelmann, 57-152 e Francalacci, 57-153.
05 - Gasparello, 57-138.
08 - Guedes, 59-354 e Hufnagel, Cad 60-120.
09 - Pacheco, 59-332.
16 - Eliseu, 57-105.
19 - Elesbão, 57-112 e Schneider, 57-171.
20 - Gonçalves, 57.94.
21 - Sasse, 57-63 e Zilson, Cad 60-110.
23 - Calvino, 57-113.
25 - Furtado, 57-23, Clever, 57-96 e José Carlos, 58-268.
27 - Almir, 57-87 e Ranulfo, 57-101.
28 - Vasques, 57-36.
31 - Ríspoli, 57-89.




DE AMIGOS E DE ENCONTROS

O O CON*DOR recebeu do Brigadeiro João Carlos esta preciosodade, de autoria desconhecida, que tem tudo a ver com nossos encontros de amigos:

O ENCONTRO COM O AMIGO
O encontro com o amigo acontece a qualquer momento...
E quando você o encontra, tem a impressão de que ele estava justamente à sua espera!
- O que é, mesmo, um amigo?
Amigo é alguém diante de quem você é você mesmo.
Quando o amigo lhe fala parece que você ouve a voz do próprio coração.
Quando o amigo escuta, você sente que aquilo que você lhe conta, e lhe acontece, é muito importante para ele, mesmo que a você pareça pequeno.
Você fala, chora, ri, canta, admira, interessa, silencia e o amigo está ali ouvindo chorando, rindo, cantando, admirando, respondendo, calando com você.
Quando você sofre, o amigo é aquele que sofre com você e, sem dizer nada, faz você entender que o amor é irmão gêmeo da dor.
Em companhia do amigo você vê Deus sorrindo nas flores... Você tem vontade de louvar a Deus pelos sorrisos, pelas esperanças, pelas tristezas, pelas lágrimas, pelos irmãos, pela vida...
Em companhia do amigo você tem a impressão de que conquistou uma segunda vida... O amigo é a presença na sua solidão... Mas respeita profundamente o seu deserto interior, a sua maneira de amar.
A presença do amigo, sua companhia, seu sorriso, suas palavras, e mesmo a sua ausência, é expressão de amor profundo
. O amigo faz você ver que o mundo é grande e precisa de muito amor.
O amigo abre o coração a todos os homens; e você sente desejo de abraçar a todos com um amaor sem limites. Depois disso você jamais poderá deixar de amar! O amigo o transformou em amor! Somente o amor conserva unidas as pessoas...
O amigo ama sempre, e na desventura, é irmão. Daí o significado de amor fraternal.
Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro!




PERSONALIDADE DE O CON*DOR

Tendo recebido sugestões para abrir espaço para outras turmas, o nosso O CON*DOR resolveu criar uma coluna para homenagear personalidades, não necessariamente ex-Alunos ou Cadetes, sendo suficiente terem ou haverem tido alguma relação com a nossa Turma. As regras são simples. Basta que um companheiro sugira à redação de O CON*DOR o nome da personalidade e o texto que gostaria de ver publicado. Os textos, após avaliados, serão publicados assim que possível.
Convidado a escrever a primeira coluna, para fugir do óbvio e, ao mesmo tempo, resgatar a lembrança de um velho companheiro mais antigo, preferi escolher alguém que, embora pouco conhecido da maioria da Turma, possui extraordinárias qualidade como ser humano, sendo, portanto, merecedor da homenagem. Trata-se do Coronel Jorge Murad, oficial muito mais antigo do que nós que, quando os tenentes da Turma tiravam serviço de Oficial de Operações, costumava passar pelas nossas Unidades no comando dos C-47 do Correio Aéreo Nacional-CAN.
Sempre gentil e paternal, era um prazer recebê-lo. Mas a vida soube ser muito dura com o Cel Murad. Felizmente, nem mesmo fatos extremamente dolorosos como, entre outros, a perda do filho, Capitão-Aviador, em acidente com F-5 na Base de de Santa Cruz, conseguiram tirar-lhe o ânimo ou amargurar-lhe o espírito.
Hoje, na reserva, mora no Leblon, bairro do Rio de Janeiro, onde se dedica, com abnegação, ao "hobby" de ajudar, quem quer que necessite, sem esperar nenhuma retribuição. Para lembrar:

Cel Av Jorge Murad
- Nasceu em Lavras-MG em 21 de março de 1916.
- Pertenceu à primeira turma da Escola de Aeronáutica, oriundo da Escola de Aviação do Exército.
- Serviu em várias localidades do Brasil, entre as quais se destacam: Fortaleza, Natal (duas vezes), Recife (duas vezes), Campo Grande, Curitiba e São Paulo. -Viajou pelo Brasil inteiro, e também pelo exterior, nas asas do CAN.
-Durante a 2ª Guerra Mundial serviu em Recife, onde fez patrulhamento no litoral do Atlântico Sul.
-É casado com Dona Helena, com quem teve três filhos:
Henrique: Médico
Lúcia: Professora
Ricardo: Oficial Aviador (falecido)
Ao Cel Murad a homenagem da Turma 57-BQ, a Turma Quase Perfeita!

(57-04, Luís Mauro)




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