DESPEDIDA DO MAJOR-BRIGADEIRO SEIXAS


Seixas e sua companheira inseparável Vilma

Foi uma grande festa a despedida do serviço ativo do Major-Brigadeiro-do-Ar Antônio dos Santos Seixas, o nosso mui prezado companheiro 57-54. No dia sete de março de 2001, exatamente, 44 anos após seu ingresso na Aeronáutica, pelos portões da E.P.C.Ar, despediu-se da Força Aérea Brasileira este verdadeiro cidadão com a mesma vibração do jovem que se veio juntar a outros tantos, naquele encontro marcado pelo destino. E, como não poderia deixar de ser, muitos integrantes da "Quase Perfeita" compareceram e transformaram a despedida em confraternização, como queria o Seixas, que é um dos mais apaixonados pela Turma. Naturalmente, fazia-se acompanhar de sua maior paixão, sua esposa e eterna namorada Vilma.


O Ten.-Brig. Bueno entrega ao homenageado uma placa de agradecimento da Força Aérea.

A cerimônia foi realizada no Parque de Material Aeronáutico do Galeão, importante Organização de Logística da Aeronáutica, iniciando-se os eventos formais às dez horas e trinta minutos, com a seguinte programação:

Honras militares à autoridade que presidiu a cerimônia, o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos da Silva Bueno, Comandante do Comando Geral de Apoio - COMGAP - de quem o Major-Brigadeiro Seixas era Chefe do Estado-Maior;

Transmissão do cargo ao substituto, o Brigadeiro Custódio;

Apresentações ao Comandante;

Homenagens de despedida do serviço ativo;

Desfile da tropa em continência ao Oficial-General homenageado.

Falaremos a seguir das homenagens, do coquetel e de tudo mais em que o Seixas se empenhou, de coração, para dignificar esse momento sensível de sua vida, ao afastar-se do convívio da tropa, das missões aéreas (muito escassas nos últimos tempos), de suas complexas funções e liberar-se dos desafios cotidianos a que se acostumou ao longo de sua brilhante carreira. As homenagens ao Major-Brigadeiro Seixas começaram com uma saudação do Comandante-Geral de Apoio, representante do Comandante da Aeronáutica. Desse pronunciamento destacamos:

"...Tenha V. Exa. a certeza do júbilo da nossa Força Aérea por ter proporcionado a realização de seu ideal de voar, mas, sobretudo, esse regozijo é maior por ter contado, em suas fileiras, com a dedicação e o entusiasmo perpetuados ao longo de quarenta e quatro anos, desde quando, pela primeira vez, o Aluno Seixas vestiu azul na Escola Preparatória de Cadetes-do-Ar e prosseguiu como brilhante oficial, que deixou marcado nas Unidades em que serviu ou que comandou, seu caráter dinâmico e extremamente vibrador, virtudes que nortearam e serviram de exemplo, como uma pregação silenciosa, a muitos de nossos militares. O reconhecimento de seus méritos no seio da Força Aérea guindou-lhe ao cargo de Comandante várias vezes, todos eles exercidos com dedicação, equilíbrio, eficácia, espírito de justiça e, sobretudo, sempre voltado para o interesse maior da Força Aérea".


O Ten.-Brig. Bueno entrega ao homenageado uma placa de agradecimento da Força Aérea.

Em seguida, o Tenente-Brigadeiro Bueno entregou-lhe uma placa alusiva ao evento, com a inscrição de palavras de agradecimento da Força Aérea "a uma vida inteira a ela dedicada, exclusiva e integralmente". Seus comandados do Estado-Maior do COMGAP prestaram-lhe também uma homenagem, oferecendo a insígnia representativa de seu posto. Coube ao seu assistente, Maj. Fares, a honrosa incumbência de fazer a entrega desse símbolo, conquistado com muito empenho, muito sacrifício e muita dignidade. Dª Vilma, sua companheira de todas as lutas e de todos os sucessos, também, foi homenageada pelos integrantes do COMGAP, materializando-se a consideração e a amizade em uma lindíssima corbelha de flores.


D. Vilma recebe do Maj. Fares uma corbelha de flores.

Nas palavras de despedida, o Seixas reviveu aquele dia longínquo em Barbacena, no qual 172 jovens, saindo do convívio de seus lares, ali chegaram dispostos a servir à Pátria nas asas da Força Aérea Brasileira. E afirmou: "...Apesar de decorridos 44 anos, sinto a sensação de que foi ontem que ingressei nas fileiras da FAB." Tão belas são as suas palavras, que o discurso de despedida será publicado na íntegra. O cerimonial foi encerrado com o desfile da Tropa em homenagem ao Major-Brigadeiro-do-Ar Antônio dos Santos Seixas, muito emocionado, com esse último ato oficial de um verdadeiro profissional das armas.


A Tropa desfila em homenagem ao Maj. Brig. Antônio dos Santos Seixas - a emoção da última continência.

A derradeira continência do Aluno 57-54 (como o Seixas muito se orgulha de ser chamado) foi ao som do Hino dos Aviadores. Quando a Tropa se distanciou do palanque, a banda tocou a Valsa do Adeus, de Chopin. Encerrada a Cerimônia, o Seixas abraçou-se à sua esposa, Vilma, sob os aplausos dos convidados presentes. Haja coração!


A Turma 57-BQ/ Aspirantes 62 compareceu em peso.


Seixas com a sua grande família

Daí em diante, instalou-se um clima de confraternização muito descontraído, a começar pelas fotos de grupos de colegas da EPCAr e da família. Presença importante foi a do Coronel-Aviador Joaquim Dário d'Oliveira, nosso inesquecível primeiro Comandante (ainda hoje, carinhosamente, chamado de Capitão Dário).


O brinde da Turma - ao lado do Seixas, o nosso "velho Comandante, o Capitão Dário"

No coquetel, um rebuliço geral: conversas animadas, risos, fotos e mais fotos. Não chegava a ser uma "zorra", mas as outras pessoas não entendiam o motivo de tanta alegria em um momento de despedida. Faltou dizer-lhes que, em nossa Turma, cada instante é um renascer para esta dádiva de Deus que é a vida.


O Seixas com integrantes da Turma


Mais integrantes da Turma no coquetel do Galeão

E para comemorar a vida, nada melhor do que uísque, cerveja, música, risos e deliciosas iguarias (permitidos, também, refrigerantes e pratos dietéticos). O próprio Seixas requisitou o organista e mobilizou a Turma para cantar a canção Bandeirantes do Ar (A Esquadrilha é um punhado de amigos a vibrar, a vibrar, de emoção...) e o Hino dos Aviadores. Grande festa! Parabéns Seixas e Vilma!


Momentos do coquetel no Forno e Fogão

À noite, reunimo-nos no Restaurante Forno e Fogão, em Copacabana, para o jantar oferecido, pelos companheiros de Turma, ao casal e a seus familiares. As fotos bem revelam a alegria reinante naquele agradável ambiente. Detalhe: o traje foi informal, buscando a desejada descontração. O José Nelson, 56-86, fez a saudação ao casal, ressaltando ter o privilégio e ser um dos grandes amigos do Seixas, "embora, sabedor de sua extraordinária capacidade de fazer amizades".


O Clarindo também saudou o Seixas.

O Clarindo também fez uso da palavra, para lamentar a sua curta permanência na Turma, como militar, e reafirmar o seu grande orgulho de pertencer a ela. Disse ainda:
"Eu, repe do 2° ano, fui eleito por vocês para a Presidência da Sociedade dos Alunos da EPC do Ar. O primeiro integrante da equipe por mim escolhido foi o Aluno 57-54, Seixas, para a Diretoria Social. Como todos sabem, a minha permanência na Escola durou pouco, mas tenho imenso orgulho de pertencer a esta turma. Eu saí para ficar!".


Clube do Bolinha


Clube da Luluzinha

Esta reportagem estaria incompleta se não falássemos um pouco do cidadão Antônio, carioca, nascido em 7 de dezembro de 1938. São marcantes seus traços de personalidade e caráter. Muito bem se expressou o José Nelson, em seu artigo intitulado A PESSOA QUASE PERFEITA, para retratar o jeito especial de vários companheiros. Usando a irreverente (mas gostosa) linguagem de sempre, o Zé Nelson começou por afirmar que tal pessoa deveria "...ter o humor do Cardoso e saber tocar violão e cantar como ele", seguindo-se muitas outras citações, entre as quais "...tem de ser caxias como o Seixas e ser amigo como o Toninho Seixas". Trata-se de um militar exigente consigo mesmo e com seus subordinados, que, certamente, levaria a vida em conflito se fosse verdadeiro o provérbio português: "Quem é bom não pode ser justo; quem é justo não pode ser bom". Como ninguém, sempre soube conciliar dever e convivência fraterna com os integrantes de todas as Unidades em que serviu, cinco das quais como Comandante. O Seixas é bom e é justo. É AMIGO. E muito se empenhou para corrigir injustiças eventualmente sofridas por seus subordinados. Especial atenção sempre deu às questões relativas a promoções e indicações para funções relevantes.

O Seixas nasceu para comandar. Por seus méritos, foi designado para os Comandos do 1°/9° Grupo de Aviação, em Manaus, e da Base Aérea dos Afonsos, no Rio de Janeiro; para a Chefia da Comissão Aeronáutica Brasileira, em Washington - CAB-W; para os Comandos da Universidade da Força Aérea — UNIFA - e da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica - ECEMAR - no Rio, e do VI Comando Aéreo Regional, em Manaus. Sua experiência funcional revela ser um profissional eclético. Na área operacional, acumulou mais de 6 000 horas de vôo, tornando-se operacional nas seguintes aeronaves: de Treinamento Avançado e de Combate - T-33, T-37 e F-80; de Transporte Aéreo e de Tropa - C-47, C-82, C-91, C-95, C-115, C-119 e C-130; de Treinamento e de Transporte Executivo - T-6, T-11, T-21, T-22 e C-45.


Mais conversa no jantar


Após o jantar, o José Nelson fez a saudação em nome da Turma.

Habilitou-se, ainda, como pára-quedista militar. Voando com pilotos mais antigos e mais jovens, com mecânicos e outros tripulantes, ajudou a constituir equipagens altamente operacionais, incluindo o pessoal de manutenção, todos impregnados pela vibração e pela dedicação do Seixas, sempre a cultuar a chamada "Mística dos Afonsos". Milhares de missões cumpridas com eficiência e segurança. Todos juntos, "companheiros de Esquadrilha ou de Esquadrão", todos amigos. Esta é a marca do verdadeiro líder. E por tratar com respeito e consideração os Oficiais, os Graduados e os Civis especialistas responsáveis pela manutenção das aeronaves, um dia, foi "preterido", quando iria assumir o tão sonhado Comando de 1° /1° Grupo de Transporte de Tropa, para o qual já tinha sido indicado. Motivo: teve de assumir o Comando do 1°/9° Grupo de Aviação, em Manaus, para pôr a aviação no ar. Todos os aviões C-115, Buffalo, menos um, estavam no solo, inoperantes, dependendo de peças ou de "vontade de resolver". Até mesmo os pilotos e os mecânicos estavam desestimulados. O Seixas "atropelou meio mundo" e, em pouco tempo, colocou, no ar, todos os aviões de seu Esquadrão, ao qual são cometidas importantes missões na Amazônia. Por conta desse esforço bem sucedido, ficou cotadíssimo na área de Logística, vindo a assumir funções na Diretoria de Material da Aeronáutica e, mais tarde, a Chefia da CAB-W, responsável pela obtenção de suprimento de aeronaves nos Estados Unidos da América do Norte. Destacou-se, também, na área de Ensino, consignando, em seu rico "curriculum vitae", as funções de Instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica e da Escola de Comando do Estado-Maior do Exército e, mais tarde, os cargos de Comandante da ECEMAR e da UNIFA. Na Secretaria de Economia e Finanças da Aeronáutica, exerceu, ainda como Coronel, as funções de Subsecretário de Administração Financeira. Nem mesmo um enfarte e uma cirurgia do coração tiraram-lhe o ânimo. Convalesceu dessa violência que é abrir o peito para implantar várias pontes de safena por um período inferior a um mês, retornando, rapidamente, às suas atividades profissionais. O voleibol e o chopinho tiveram de esperar um pouco mais, por proibição dos médicos (eita guerreiro!). Nessa ocasião chefiou muitos Oficiais Intendentes e sempre soube valorizá-los e deles explorar toda a experiência, todo o conhecimento e todo o profissionalismo. Resultado: Sucesso absoluto! Tanto foi assim, que foi promovido a Brigadeiro e permaneceu na mesma função, mercê da competência revelada como financista. Foram mais de três anos à frente dessa área sensível e complexa, em que racionalizou a distribuição de verbas às Organizações Militares da Aeronáutica, não se registrando, à época, restrições à execução de projetos e atividades de qualquer Organização Militar. Foi um tempo muito bom para a Aeronáutica. Bravo, Companheiro!

O Seixas é o último Major-Brigadeiro da Turma a despedir-se do serviço ativo. Permanecem em atividade, ainda, apenas os Tenentes-Brigadeiros-do-Ar Reginaldo dos Santos e Flávio de Oliveira Lencastre e, brevemente, veremos encerrar-se mais um ciclo na existência da "Quase Perfeita". Existência que, felizmente, não foi em vão. Sem dúvida, nossa Turma "disse a que veio". Ela conseguiu formar um grupo de Oficiais-Generais de valor inquestionável.

Gostaríamos de ter coberto a despedida do serviço ativo de todos os nossos colegas. A falta de uma estrutura melhor e menos amadora, no entanto, impediu-nos de fazê-lo. Isso não deve, de nenhuma maneira, ser interpretado como manifestação de preferência por este ou aquele companheiro. Todos estavam preparados para receber a estrela do último posto. Infelizmente, vivemos em uma época de programada negação de valores, em que lideranças artificiais, inspiradas por ideologias alienígenas ou por interesses pessoais, fingem administrar o País, enquanto o destroem. Nesse quadro, agradecemos a Deus pelos nossos dois extraordinariamente brilhantes Tenentes-Brigadeiros. Um número muito pequeno para as possibilidades da Turma, mas o máximo possível diante de adversidades políticas muito mais graves. Temos certeza de que os Majores-Brigadeiros Archimedes de Castro Faria Filho, Aluízio Weber, Manoel Carlos Pereira, Marcus Vinicius Pinto Costa, e os Brigadeiros João Carlos Fernandes Cardoso, Carlos Amado Machado Filho e José Antônio dos Santos Raposo, além do homenageado desta edição, o Major-Brigadeiro Antônio das Santos Seixas, muito farão ainda pelo nosso querido Brasil.

Estimado Seixas, que você seja muito feliz e contabilize muitos sucessos, ainda, ao lado de sua esposa Vilma e de toda a sua família. Seja, também, muito bem-vindo ao seio de sua Turma, de onde você nunca saiu!

A REDAÇÃO


PALAVRAS DE DESPEDIDA
DO MAJ.-BRIG.-DO-AR SEIXAS


O discurso de despedida do Seixas

Era o dia 7 de março de 1957. Os portões da Escola Preparatória de Cadetes do Ar abriram-se para receber cento e setenta e dois jovens que, saindo do convívio de seus lares, ali chegaram dispostos a servir à Pátria, nas asas da Força Aérea Brasileira. A esse grupo de jovens, no transcorrer dos anos escolares, juntaram-se outros que possuíam o mesmo ideal e, todos irmanados, vieram a formar a Turma que se autodenominou "Uma Turma Quase Perfeita", à qual tenho o imenso prazer e a grata satisfação de pertencer. Hoje, 7 de março de 2001, os portões da Força Aérea Brasileira abrem-se novamente, desta vez para a despedida do serviço ativo de mais um dos integrantes daquela Turma. Apesar de decorridos quarenta e quatro anos, sinto a sensação de que foi ontem que ingressei nas fileiras da FAB.

Naquele longínquo dia de 1957, orgulhoso e honrado por ter adquirido o direito de envergar o uniforme de uma das mais conceituadas instituições brasileiras, sabia que assumia um grande desafio, o qual me propunha a aceitar na plenitude de minhas forças, mas também consciente de minhas limitações. Do desafio assumido, não sei se saí vencedor, porém levo comigo a sensação do dever cumprido e a paz na consciência de ter realizado, ao longo da carreira, um trabalho sério e profícuo em prol da nossa Força Aérea e do nosso País. Tudo o que hoje possuo, seja no campo material, no intelectual, ou no afetivo, as amizades sinceras, o prestígio com que sempre fui distinguido nas funções e nos cinco comandos que assumi, tudo me foi proporcionado pela Força Aérea. Não levo, porém, o sentimento de estar em dívida com ela, pois a tudo retribuí com o meu trabalho, o meu sacrifício, a minha lealdade e a minha dedicação. Sendo, hoje, a última vez que envergo este uniforme azul que tanto orgulho me deu, cumpro, uma vez mais, na minha longa trajetória militar, o dever da despedida. Desta feita, não uma despedida de Unidade ou de Comando, como tantas que tive ao longo de minha carreira, mais, sim, uma despedida de caráter todo especial: a despedida do serviço ativo.

Variados são os sentimentos que me dominam neste momento. Um misto de tristeza, por ter chegado este dia e de alegria por estar encerrando com dignidade esta etapa de minha vida. Vontade de ir e aproveitar o tempo que me resta junto aos meus entes queridos. Vontade de ficar e recomeçar tudo outra vez. Saudade do que fica e esperança no que virá. Emoção, reconhecimento, gratidão. É hora de partir! É hora de agradecer:

1º - Aos companheiros da "Turma Quase Perfeita" e a todos que aqui compareceram, pela gentileza de suas presenças e pelo prestígio que me emprestaram nesta última solenidade de que participo, como Oficial-General da ativa;

2º - Ao meu primeiro Comandante, o então Capitão-Aviador Joaquim Dário d'Oliveira, meu muito obrigado, pelos valores morais, pelos ensinamentos, pela vibração e pelo patriotismo que soube nos transmitir, e que muito influenciaram na minha formação militar;

3º - Aos Comandantes que tive, nesses 44 anos de caserna, meus agradecimentos pela compreensão que tiveram comigo e pelas orientações esclarecidas que deles recebi;

4º - Aos companheiros com os quais tive o privilégio de conviver durante minha trajetória militar, pela participação fidalga, profissional e amiga que sempre me dedicaram, meus agradecimentos;

5º - Aos militares e civis do COMGAP, minha última Unidade na ativa, meu sincero obrigado pela colaboração espontânea e pela consideração que me foram dedicadas no período em que, juntos, trabalhamos;

6º - Agradeço a minha querida esposa Vilma, companheira de todas as horas, pelo incentivo, pela dedicação e pelo carinho que me deram ânimo e revigoraram minhas forças para enfrentar e vencer as dificuldades ao longo da minha jornada; e

7º - Por fim agradeço a Deus por ter-me permitido viver e ter iluminado a minha mente na condução de minhas responsabilidades ao longo do caminho da vida. De todos com quem tive a oportunidade de conviver social ou profissionalmente, neste período que hoje se encerra, levo as mais gratas recordações, na certeza de que, no futuro, em algum lugar e em algum tempo, voltaremos a nos encontrar.

Finalizando, quero expressar a minha satisfação por ter entregue o cargo de Chefe do Estado-Maior do COMGAP ao Brigadeiro-do-Ar José Maria Custódio de Mendonça, companheiro e amigo de longa data, Oficial inteligente, competente, íntegro e trabalhador. Ao Brigadeiro Custódio, desejo sucesso em sua nova função, muitas realizações no transcurso de sua carreira e muita felicidade junto à sua digníssima e simpática família. Com a satisfação pessoal de ter cumprido mais uma etapa da minha vida, deixo aqui, como uma mensagem de despedida, "o meu desejo de que todos os integrantes da Força Aérea Brasileira, abraçando um único objetivo, continuem a fazer da nossa Força uma Organização de que possamos, sempre, nos orgulhar de, um dia, ter a ela pertencido".

Obrigado.


HINOS MILITARES


O Seixas "puxou" a canção Bandeirantes do Ar e o Hino dos Aviadores.


HINO DO AVIADOR

Letra: Capitão Armando Serra de Menezes
Música: Tenente João Nascimento

I

Vamos filhos altivos dos ares
Nosso vôo ousado alçar,
Sobre campos, cidades e mares,
Vamos nuvens e céus enfrentar.

II

D'astro-rei desafiamos nos cimos,
Bandeirantes audazes do azul.
Às estrelas, de noite, subimos,
Para orar ao Cruzeiro do Sul.

ESTRIBILHO
Contato! Companheiros!
Ao vento, sobranceiros,
Lancemos o roncar
Da hélice a girar.

III
Mas se explode o corisco no espaço
Ou a metralha, na guerra, rugir,
Cavaleiros do século do aço
Não nos faz o perigo fugir.

IV
Não importa a tocaia da morte
Pois que a pátria, dos céus no altar
Sempre erguemos de ânimo forte,
O holocausto da vida, a voar.

ESTRIBILHO
Contato! Companheiros!
Ao vento, sobranceiros,
Lancemos o roncar
Da hélice a girar.


BANDEIRANTES DO AR

Letra e Música de Luiz Felipe de Magalhães
(Cadete-do-Ar)

I

A Esquadrilha é um punhado de amigos
A vibrar, a vibrar de emoção!
Não tememos da luta os perigos,
Nem dos céus a infinita amplidão!
Sobre mares, planícies, sobre montes,
Viveremos por sempre a voar
Bandeirantes de novos horizontes
Para a bandeira da Pátria elevar
Bandeirantes de novos horizontes
Para a suprema conquista do Ar!

ESTRIBILHO
Nós somos da Força Aérea Brasileira,
O nosso emblema é a águia altaneira,
Que há de ser grande, forte e varonil!
Lutaremos!!!
Morreremos!!!
Pela Bandeira do Brasil!!! (Bis)

II
Entre as nuvens dos céus vendo a terra,
Vivem lá os Cadetes do Ar!
Comandando a grande arma de Guerra,
Baluarte da Pátria sem par!
Adestrados ao fogo da metralha
E ao governo de seu avião,
Estarão sempre prontos à batalha,
Para a defesa do nosso torrão!
Estarão sempre prontos à batalha,
Por defender o auri-verde pendão.

ESTRIBILHO
Nós somos da Força Aérea Brasileira,
O nosso emblema é a águia altaneira,
Que há de ser grande, forte e varonil!
Lutaremos!!!
Morreremos!!!
Pela Bandeira do Brasil!!! (Bis)


SEIXAS AGRADECE À TURMA QUASE PERFEITA


O Seixas agradece as homenagens da Turma.

Despedir-me da Força Aérea Brasileira, após quarenta e quatro anos de labuta, provocou em mim um emaranhado de emoções e sentimentos que se agravaram quando, ao chegar ao local da solenidade militar, vislumbrei, no palanque dos convidados, uma parcela significativa da nossa Turma, que veio trazer-me a sua solidariedade nesse momento tão peculiar para mim. Desejo, aqui, registrar o meu sincero agradecimento a todos aqueles que lá compareceram, bem como àqueles que organizaram e compareceram ao jantar de despedida, no qual eu e Vilma fomos brindados com o carinho de vários colegas e senhoras. Um agradecimento especial aos integrantes da Representação da Turma que, após gentis palavras do Edison Martins (57-34), na reunião da 3ª terça-feira (20 Mar 2001), no deque do Clube da Aeronáutica, presentearam-me com um belo álbum de fotografias, onde ficaram registrados os momentos marcantes da minha despedida do Serviço Ativo.


A mesa do Seixas no jantar de despedida
Finalmente, um agradecimento a todos os companheiros da Turma Quase Perfeita pela consideração e pelas inúmeras manifestações de amizade que sempre recebi ao longo desses quarenta e quatro anos de convivência, esperando que eu possa continuar a ter o privilégio de tê-los todos como amigos. Aproveito para deixar, aqui, um pensamento que, julgo, representa a essência do espírito que anima os integrantes da nossa Turma 57-BQ / Aspirantes 62:

"Os indivíduos têm o direito de ser diferentes uns dos outros, mas não podem ser indiferentes à sorte da comunidade a que pertencem".

57-54, Seixas


HOMENAGEM AO CUBAS


Cubas na Amazônia, como médico, a bordo
de um Navio-Hospital da Marinha do Brasil

O Sagrado Espadim - Por sua incontida vibração pela Aviação e por seu amor à Turma, o Dr. Danilo Cubas foi agraciado com a miniatura do Espadim do Cadete da Aeronáutica, símbolo da Honra Militar que a Quase Perfeita adotou para homenagear seus integrantes civis ou militares de outras Forças que se tenham destacado por seu amor à Pátria, à Força Aérea e à nossa Turma. O Sagrado Espadim lhe foi entregue,de surpresa, durante o churrasco que ofereceu aos amigos no dia do seu aniversário.

O Agraciado - O nosso companheiro Danilo Eduardo Pinheiro Cubas, Aluno 58-258, nasceu em Joinville, Santa Catarina, no dia 15 de março de 1940. Formou-se em Medicina, em 1972, especializando-se em Medicina do Trabalho, Gastroenterologia e Clínica Geral. Muito contribuiu para a integração nacional, ao aceitar a designação da Direção do Projeto Rondon para coordenar vários grupos de estagiários que levavam assistência e conforto às populações das regiões mais carentes do nosso País, em um dos maiores e mais bem sucedidos programas assistenciais, que a incompetência de alguns dirigentes terminou por destruir. Ainda em atividade, o Dr. Cubas é médico do Hospital Silvestre, onde, mercê de sua habilidade no trato com os idosos, é considerado um excelente geriatra (isso pode ser muito importante, companheiros).

O Padrinho - Foi convidado para seu padrinho o Brigadeiro-do-Ar Sérgio Drummond da Fonseca, em início de sua carreira, o "Tenente Drummond", dedicado Instrutor de Vôo da Academia da Força Aérea. O "Chefe" é aquele companheiro de atitudes discretas que encobrem uma grande sabedoria e, sobretudo, uma brilhante inteligência. Relembramos aos companheiros que o Aluno 57-163 chegou ao 3° Ano da E.P.C.Ar, em 1° lugar (Aluno 59-201, nos Afonsos) e fechou o Curso, também, em 1° lugar (Cadete-do-Ar 60-001). Foi declarado Aspirante-a-Oficial-Aviador em 21 de dezembro de 1962, em 2° lugar (detalhe: o segundo do Reginaldo). A sabedoria maior revela-se por suas "tiradas" filosóficas, solucionando, rapidamente, os conflitos que se costumam criar em discussões inúteis.

O Drummond é, também, formado pelo Instituto Militar de Engenharia, na especialidade de Engenharia Civil e teve a oportunidade de empregar seus conhecimentos técnicos na Amazônia, onde fiscalizava as obras, ele mesmo, pilotando aeronaves Buffalo. Quando Oficial-Superior, destacou-se como especialista em Aviação Civil, tendo cumprido missão no exterior, na OACI (Canadá) e exercido o cargo de Assessor do Ministro da Aeronáutica para assuntos dessa área (GM-5). Já Oficial-General, exerceu o cargo de Chefe do Subdepartamento Técnico do Departamento de Aviação Civil (DAC). Hoje, na Reserva, é Assessor da CERNAI - Comissão de Estudos relativos à Navegação Aérea Internacional.

Este é o Chefe!

A REDAÇÃO


E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE...


Em um dos vôos do Projeto Rondon, o Cubas "pilota" um C-54 da FAB.

Era uma vez um menino que foi contaminado por uma virose, doença crônica: Aerofilia (extrema vibração por aviação). Desde os 16 anos, ia para o antigo Santos Dumont pedir carona, de C-47, para o Galeão ou os Afonsos. Voava apenas 15 minutos e voltava de ônibus, muito feliz. A doença ia agravando-se. Um dia, ele ingressou na E.P.C. do Ar. Era como se o céu descesse para a terra, e, silenciosamente, a doença progredia... Finalmente, ele veio para a Escola de Aeronáutica (Campo Sagrado, como o Olimpo o era para os gregos). No paraíso do Campo dos Afonsos, eu sentia que as asas do FOCKER (T-21) eram extensão dos meus braços, e o trem de pouso fazia parte do meu corpo. Era uma fusão apaixonante e inebriante. No clímax desse convívio com uma Turma Quase Perfeita, com meus irmãos celestiais, Anjos e Arcanjos, uma tragédia iria acontecer. Um dia, provei o fruto proibido ao voar sem regulamentos e misturar distração e vibração, comprometendo as regras de segurança. Diagnóstico fatal: "perigoso em vôo". Imediatamente, um "arcanjo checador", com sua espada de fogo, expulsou-me do Paraíso: "Cubas, entregue seu pára-quedas no hangar e retire a sua plaquinha do quadro. Você irá a Conselho de Vôo".

O Céu desabou, o menino sofreu muito, chorou, tomou vários porres, mas a decisão era eterna. Fora do paraíso! Poucos conhecem o que isso significa, principalmente, para um dependente compulsivo de Aviação. Mas a vida sempre nos ensina, e um outro anjo me disse: "Não chores menino, pois é contra o vento da adversidade que o avião levanta vôo. Menino, você é um avião!". Perdi o primeiro amor, mas nunca deixei de amá-la. "Não chores por mim Força Aérea!". Aí entendi a frase do Cadete Lupicínio: "Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?". Por isso, invejo o Land e o Luís Mauro, que só se casaram com a Aviação. No dia do Aspirantado, fui ver a festa da minha Turma. Os vibrantes rasantes de F-8 traziam um amargo seco à minha garganta. Decidi então: vou comemorar na Pérgola dos Brigadeiros. Peguei o "remu" de um brigadeiro que subia a escada, e brindei à minha Turma com uísque de 18 anos e cascata de camarão. Bons tempos da FAB! Nesse misto de emoção, entre a alegria e a tristeza, um amigo Brigadeiro, CLOVIS PAVAN, sentiu a minha tristeza e me afirmou: "Não sei se acreditas, mas existe um Homem lá no Céu. Ele está preparando-te um novo destino e, no fim de tua vida, tu verás que o Velhinho tinha razão".

Mas a doença continuava e também tinha uma lição que seria útil na nova carreira: pacientes felizes, e lágrimas fúnebres, eu conheço muito bem essa distância. "AS TIME GOES BY" era a nova mulher da minha vida. A MEDICINA é muito exigente, faz-me acordar de noite e me deixa cansado. Um dia, no Hospital Silvestre, atendi a um paciente, o Tenente-Aviador Hans Werner Müller, ex-piloto de caça da Luftwaff, piloto de FW-190, com cinco vitórias homologadas. Abatido e preso por aliados, veio morar em Nova Friburgo e, um dia, me disse: "Dr., eu também perdi a Aviação. Perdi meu avião, perdi a minha querida turma e perdi a guerra". Ficamos amigos e compreendi o verdadeiro significado da palavra PERDA. Filosofando, ainda, ele me contou:

"Num intenso inverno, um passarinho ia morrer congelado pelo frio e foi resgatado por um senhor que o levou para o interior de um estábulo. Sem querer, uma vaca descarregou seu material fecal sobre o desafortunado passarinho. Devido ao calor do estrume, ele melhorou e voltou a piar. Então, o seu protetor tirou-o daquela situação e o colocou a salvo, fora do estábulo. Nisso, um gavião carregou o pequeno pássaro para sempre. Destino cruel! Conclusão (em linguagem publicável): Nem todo aquele que evacua em ti é teu inimigo; e mais, nem todo aquele que te tira das fezes é teu amigo".

Conseguimos salvar o piloto de uma doença, mas o câncer o levou. A virose continua, não tem cura, é terrível, tal qual HIV. Hoje, imagino voar. Não tem cura. Meus colegas, há algum tempo, resgataram-me do rol dos desaparecidos e, numa recente festividade, premiaram-me com um lindo presente: a miniatura de um Espadim de Cadete-do-Ar, entregue por dois Brigadeiros, o Drummond e o João Carlos. Não dá para acreditar! É a primeira vez que o Drummond dá um espadim pequeno. Vocês querem me matar! Quase morri de vibração. Aliás, vibração é que nem tosse: "Não dá para esconder, tem que botar para fora". Quando recobrei os sentidos, já em casa, olhei o Espadim, mostrei-o aos Céus e bradei raivosamente: "Anjos invejosos, a Turma mais querida da E.P.C. do Ar reconduziu-me de volta ao Olimpo. Vocês vão ter de me engolir!". Já comecei a voar de ultraleve na Sede Campestre do Clube da Aeronáutica.


Cubas, ao lado do ultraleve em que voa,
na Sede Campestre do Clube de Aeronáuitica,

Por favor, nossa Senhora do Loreto, não interfira mais. Minha mãe sempre se apegou a ela, mas agora estou com o Espadim! Quando solar, aí a festa será completa. Hoje sou um bígamo profissional. Tudo o que começa com "era uma vez", termina com "viveram felizes para sempre"...

E, no Romance de um Menino Sonhador, todos viveremos Felizes para Sempre.

58-258, Danilo Cubas


PENSAMENTO DE O CON*DOR

"Esse menino é maravilhoso!"

O Tenente-Brigadeiro-do-Ar Paulo Vitor, um dos ícones das origens da nossa Força Aérea, referindo-se ao companheiro 58-254, Reginaldo dos Santos, hoje, também, Tenente-Brigadeiro-do-Ar e Diretor-Geral do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento.


O CON*DOR

 

O CON*DOR

 

O Con*dor é uma publicação sem fins lucrativos, destinada à divulgação de assuntos de interesse da Turma 57-BQ/Aspirantes 62, a Turma Quase Perfeita. Está, porém, aberto a companheiros de outras turmas que, com ele, queiram colaborar. É editado, bimestralmente, sob a responsabilidade da Representação da Turma.

 

Coordenação Geral

Al. 57-50 João Carlos

 

 

 

Conselho Editorial

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Al. 58-258, Cubas

Al. 58-276, Ivan

Editores

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Al. 57-15, Neves

Jornalista Responsável

Carlos Rogério C. Baptista

Nº 17.997/94

Produção

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Redação

Tel (21) 247-6385

E-mail

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