DESPEDIDA DO JOÃO

BEM-VINDO, JOÃO


A Turma compareceu em peso!

O Brigadeiro-Intendente João Carlos Fernandes Cardoso, o nosso querido companheiro 57-40, deixou o serviço ativo da Aeronáutica, no dia 3 de abril. Nesse dia ele passou a função de Subdiretor de Pagamento de Pessoal ao Brigadeiro Alberto, velho amigo do pessoal da reserva. A cerimônia ocorreu, às 17h, no Salão Nobre do Instituto Histórico e Cultural da Aeronáutica. Após a passagem da função, houve a cerimônia de despedida do serviço ativo. Emocionante, como sempre. Mas desta vez teve um sabor especial. Os companheiras da Turma Quase Perfeita, que compareceram em peso, puderam ver um João Carlos feliz, que deixava o serviço ativo sentindo-se realizado, depois dos mais de 40 anos de excepcionais serviços prestados à Aeronáutica e ao País. O nosso João estava renascendo para uma nova vida. Nova vida em que ainda tem muito o que fazer com a rara capacidade que Deus lhe deu. Com mais tempo disponível, poderá dedicar-se mais à Pátria, à Família e, sem dúvida, à Turma. Muita felicidade, João!

Seja Bem-vindo!


LONGEVIDADE

Como leitor assíduo do grande jornal O Con*dor, onde acompanho, de perto, a evolução dos acontecimentos desta turma "Quase Perfeita", ocorreu-me a idéia de contribuir, escrevendo fatos curiosos relacionados com um de seus ilustres integrantes. Trata-se do nosso querido amigo João Carlos. Grande companheiro, um verdadeiro "work-a-holic" na expressão máxima da palavra, amigo de primeira hora, um paradigma para seus comandados, pela capacidade, orientação, modelo e participação. Pois bem, o nosso caro João possui dois requisitos dignos de pertencerem ao Guiness Book, que, certamente, outro companheiro de Força Aérea jamais virá vir a suplantar. O primeiro, é a marca inconteste do tempo que passou à frente de uma complexa organização, a SDPP. Permanecendo por um período imbatível e feliz, de 2.035 dias, ou seja, 5 anos e 7 meses, fato este que lhe confere, com primazia, um verdadeiro recorde, difícil de ser superado. Agrega-se, nesta longevidade no cargo, uma seqüência de sucessos, que o levou a angariar o respeito de todos, contribuindo, ainda, ativamente da formação das gerações futuras, na nobre arte de gerenciar o bem público. O segundo, não menos curioso, é que o nosso amigo João Carlos deixa o serviço ativo, após 43 anos de profícuo labor, e, nas folhas que relacionam as alterações ao longo da carreira, não encontramos nenhum registro de viagem a serviço, ao exterior, o que lhe confere outra marca muito pessoal. Com orgulho, diz sempre a seus amigos: "Sou digno de pertencer ao Guiness Book; jamais fui ao exterior a serviço, embora tivesse oportunidade" . Pois bem, estes eram os relatos que eu gostaria de fazer para a valorosa turma de 57, mostrando mais uma faceta do nosso amigo J.C.

Al. 59-372, Fontes (57 honorário)


ORDEM DO DIA

PASSAGEM DO CARGO DE SUBDIRETOR DE PAGAMENTO DE PESSOAL
MENSAGEM DE DESPEDIDA DO BRIG.-INT. JOÃO CARLOS FERNANDES CARDOSO


Momentos antes da passagem da função

Intendência – ausência sempre sentida, presença nem sempre percebida. A Intendência nasceu e cresceu com a Força Aérea, e por ela e com ela luta e vence.

Estas mensagens são da lavra de um Chefe da Intendência da Aeronáutica – o Major-Brigadeiro NEBAR GUILLEM BALTORÉ, dedicado estudioso da História de nossa Instituição, com quem tive a satisfação de trabalhar. Em suas memoráveis ordens-do-dia alusivas ao Dia da Intendência, sempre atento às exigências de cada momento de evolução da Força Aérea, na busca incessante de alto nível de profissionalismo e operacionalidade, jamais deixou de vincular as realizações de hoje ao trabalho dos pioneiros. Nesta linha de pensamento, a cultuar nossas tradições, cumpre-nos fazer uma breve remissão histórica. A Subdiretoria de Pagamento de Pessoal, integrante da estrutura da Diretoria de Intendência, tem o significado de presença viva do Serviço de Fazenda da Aeronáutica, ativado em 17 de setembro de 1941, no mesmo ano de criação do Ministério da Aeronáutica. Tinha por atribuições gerir, controlar, fiscalizar e coordenar, no âmbito de todo o Ministério, as atividades de contabilidade e finanças, orçamento, distribuição de verbas, tomada de contas e pagamento em geral. Assim como os Aviadores, os primeiros Intendentes vieram do Exército e da Marinha. Extinto o Serviço de Fazenda, em 23 de agosto de 1945, sucedeu-lhe o Serviço de Intendência da Aeronáutica, tendo como Órgão Central a Diretoria de Intendência. Na longa trajetória, às atividades financeiras e contábeis foram-se juntando múltiplas tarefas de apoio no campo econômico, de planejamento e controle e de administração em geral, e considerável elenco de encargos assistenciais. No processo evolutivo de nosso Ministério, as atividades de Economia e Finanças vieram a extrapolar a competência da Diretoria de Intendência. Mas a condução dessas variadas e complexas tarefas não pode prescindir de profissionais capacitados e experientes, sendo presença marcante os Oficiais Intendentes em todos os escalões de nossa estrutura militar. É na Subdiretoria de Pagamento de Pessoal, em sua Galeria de Retratos de Ex-Comandantes, que encontramos as notáveis figuras dos primeiros Chefes de Intendência – os então Tenentes-Coronéis LUIZ BARRETO ALVES FERREIRA e JOSÉ EPAMINONDAS DE AQUINO GRANJA, o primeiro falecido na ativa e o segundo vindo a tornar-se o Patrono da Intendência. Com muito orgulho, guardamos as fotos e os feitos dos pioneiros e procuramos sustentar sua legenda de profissionalismo e versatilidade. Desde 1964, utilizam-se as técnicas de processamento de dados no pagamento ao pessoal da Aeronáutica. Daquela época aos dias atuais, conquistaram respeito no seio da Força Aérea nossos Analistas de Sistemas e Programadores, desenvolvendo, implantando e mantendo em operação avançados sistemas para cada fase de evolução da Informática. Assim foi com o primeiro sistema automatizado através do computador UNIVAC-1004, que mereceu destaque na imprensa da época; assim foi com o ACANTUS, o ACANTUS II e seus subsistemas; assim será com o ACANTUS III, a ser implantado neste ano de 2000. Este novo sistema, utilizando modernas técnicas de banco de dados corporativo e todos recursos de telecomunicações disponíveis, atenderá à natural exigência dos 157.000 usuários por informações rápidas e consistentes. Será implantado como módulo prioritário do Sistema de Informações Gerenciais de Pessoal (SIGPES), que integrará todas as Organizações da Aeronáutica, através de módulos específicos de interesse da Administração.

Neste momento, ao deixar o cargo de Subdiretor de Pagamento de Pessoal, também com muito orgulho passarei a ocupar o 29º lugar na Galeria dos Ex-Comandantes. No período de 5 anos e 7 meses de gestão, o mais longo de que se tem registro, como citado, priorizou-se a modernização do Sistema de Pagamento de Pessoal, na busca de maior transparência e total confiabilidade. Mereceu atenção especial o treinamento dos recursos humanos da SDPP. Através da atualização de conhecimentos e elevação de nível profissional de seus integrantes, foi possível, superando a redução de 1/3 da força de trabalho ocorrida nos últimos anos, manter a regularidade do pagamento de pessoal e atender ao considerável aumento de encargos, destacando-se:

- Os inúmeros remanejamentos e suplementações de créditos, impostos pelas restrições orçamentárias;
- A sistemática revisão de normas e procedimentos, para atender às freqüentes mudanças da legislação;
- O elevado número de requerimentos e processos judiciais decorrentes de sucessivos planos econômicos do governo;
- O elevado número de processos de exercícios anteriores relacionados à implantação retroativa da progressão funcional de servidores civis e à integralização das pensões militares;
- O significativo incremento de pensões alimentícias e consignações em folha de pagamento;
- O levantamento de dados para atender a requerimentos de informações de parlamentares;
- A multiplicidade de relatórios solicitados pelos escalões superiores para serem utilizados como fatores de planejamento;
- A implantação em folha da indenização de transporte, do auxílio-transporte, do auxílio-alimentação e do auxílio-pré-escolar;
- A implantação em folha dos auxiliares locais contratados pelas representações da Aeronáutica no exterior;
- A ampliação das atividades de controle interno, incluindo as inspeções técnicas determinadas pelo TCU e as auditorias de recursos humanos solicitadas pela Coordenação do SIAPE;
- A execução dos programas de demissão voluntária dos servidores civis;
- A geração de folhas complementares de civis referentes ao passivo de 28,86%.

Também foi objeto de atenção especial o fortalecimento do controle interno sobre todos os atos de gestão. Além da exigência legal para o exercício de tais atividades, no âmbito da SDPP e das Unidades Pagadoras, pode-se afirmar que o controle interno é a principal fonte de realimentação da ação gerencial em qualquer instituição. Todos os anos, esta grande Unidade Gestora, por movimentar expressivo volume de recursos públicos e apresentar singularidade nas atividades administrativas e operacionais, recebe uma equipe de auditoria da SEFA para verificar a execução orçamentária, financeira e patrimonial. A qualidade dos trabalhos desenvolvidos e a produtividade alcançada, a cada exercício, vem sendo alvo de reconhecimento por parte dos Auditores que certificam o bom desempenho dos Gestores.

O Tribunal de Contas da União editou atos normativos para estabelecer novos requisitos de auditoria, em consonância com a evolução da Informática na Administração Pública Federal. O desenvolvimento dos trabalhos do TCU reveste-se de caráter inovador, na medida em que o controle interno procura estabelecer padrões de Auditoria de Sistemas. A Subdiretoria de Pagamento de Pessoal, uma vez mais, aparece como pioneira ao integrar o elenco de Unidades Gestoras do Plano de Auditoria daquele Tribunal, no exercício de 1997, com a adoção dessas novas ferramentas de trabalho. Pode-se afirmar que a SDPP teve o privilégio de ser selecionada para teste. Em contrapartida, recebeu importante contribuição dos Analistas do TCU, através de suas recomendações, para o aperfeiçoamento dos procedimentos de controle interno do atual e do futuro Sistema de Pagamento de Pessoal da Aeronáutica. Todo esse esforço para a realização do pagamento ao pessoal da Aeronáutica com a regularidade de sempre – mês a mês, sem solução de continuidade, no nível de qualidade desejado pelos usuários – deve-se à excelente equipe de trabalho que tive a honra de chefiar.

Sou grato a todos os companheiros de equipe – oficiais, graduados e servidores civis, que juntos somam apenas uma centena de profissionais, pela cooperação, dedicação e responsabilidade no cumprimento de suas atribuições, pelo elevado espírito público e, especialmente, pela convivência fraterna que me proporcionaram. A esses companheiros, manifesto minha admiração e respeito, desejando-lhes muito sucesso nos dias vindouros. Aos Comandantes, Agentes de Controle Interno, Gestores de Finanças, Chefes de Pessoal e Operadores/Sacadores das Unidades Pagadoras, agradeço a atenção com que sempre distinguiram os integrantes da SDPP, e a compreensão para com as dificuldades operacionais dos sistemas em uso. O bom entendimento na solução dos problemas de pagamento de pessoal permitiu exercer a prática de uma "gerência participativa", com resultados positivos para todos os elos dos sistemas de pessoal militar e civil. A eficiência e a eficácia no pagamento de pessoal não seriam alcançadas sem o permanente apoio de muitas outras Organizações, desde Unidades Técnicas e Operacionais às situadas nos mais elevados escalões.

Sob pena de incorrer em omissão, deixo registrado meus agradecimentos aos integrantes do EMAER, COMGEP, SEFA, GABAER, DIRAP, DEPV, DIRINFE, GAP-RJ, CCA-RJ e SEGECAE. Agradeço aos Exmos. Srs. Tenentes-Brigadeiros-do-Ar ULISSES PINTO CORRÊA NETTO, JOSÉ ELISLANDE BAYO DE BARROS e OSIRIS CASTILHO, autoridades que, no exercício do cargo de Comandante-Geral do Pessoal, dedicaram e dedicam atenção especial a esta área sensível da Administração e consideração à minha pessoa. Ao Exmo. Sr. Diretor de Intendência, Major-Brigadeiro ALTEVO VOLOTÃO, agradeço o apoio irrestrito às iniciativas e ações por mim empreendidas; à compreensão para com as limitações da SDPP frente aos novos e crescentes encargos; a consideração de me consultar, em várias oportunidades, sobre assuntos afetos a outras áreas de atuação da Intendência e sobre o Quadro de Oficiais-Intendentes.

Agradeço, particularmente, ao chefe e amigo, pelas palavras de conforto e encorajamento, nos momentos de dúvida e apreensão. Aos companheiros dos demais Órgãos da estrutura da DIRINT, sou grato pelo pronto atendimento às solicitações da SDPP, pelo ambiente de camaradagem, onde a seriedade e o profissionalismo possibilitaram um trabalho reconhecidamente profícuo.Ao transmitir o cargo de Subdiretor de Pagamento de Pessoal ao Brig.-Int. ALBERTO ALVES DE SOUZA, expresso minha confiança no sucesso de sua missão. Seu preparo profissional e a larga experiência em todas as áreas da Administração são a garantia da continuidade do trabalho daqueles devotados pioneiros da Intendência, agora com as responsabilidades de profundas mudanças neste limiar do século XXI, na transição para um novo milênio.

Senhoras e Senhores.
É chegado o momento de minha despedida do serviço ativo da Aeronáutica, após 42 anos de dedicação integral e exclusiva à instituição. Aos 17 anos de idade, ingressei na Força Aérea Brasileira pelos portões da Escola Preparatória de Cadetes-do-Ar. Tenho a honra de pertencer à Turma 57-BQ / Aspirantes de 1962. Hoje, aos 60 anos, sinto-me realizado e feliz, especialmente pela razão de minha saída permitir a renovação do quadro a que pertenço. Se o destino me fez Intendente, creio ter sido para melhor servir à Força Aérea. E saio com a sensação do dever cumprido. Jamais esquecerei a participação dos companheiros nesta e em outras fases da minha vida, de muito trabalho, de dificuldades momentâneas e de eventuais frustrações. Sempre presentes em minha memória as manifestações de amizade nas Organizações em que servi – atitudes obsequiosas, incentivos à luta cotidiana e palavras de conforto em momento difíceis. Por toda vida levo e levarei os ensinamentos de meu primeiro Comandante, na EPCAR – o Capitão-Aviador JOAQUIM DÁRIO D'OLIVEIRA; de meu primeiro Chefe, no Parque de Aeronáutica de Recife – o Capitão-Intendente EDMIR FELIX DA SILVA; de meu grande mestre, no GSM/Galeão, o Major-Intendente WALKYRIO MARQUES CORRÊA. Outros excelentes Comandantes e Chefes também influenciaram minha atuação profissional. Destaco o nome desses oficiais, por terem tido a responsabilidade de orientar um jovem recém-ingresso na carreira militar e um profissional inexperiente, a enfrentar os desafios de múltiplas funções afetas à Intendência. Obrigado, inesquecíveis Chefes, pela orientação segura e permanente atenção, pelo exemplo de dignidade, pela "vibração" que transmitiam a seus subordinados, conduzindo-os ao sucesso da missão e ao sucesso pessoal. Muito obrigado por sua amizade. Sou grato a meus pais, de saudosa memória, a meus irmãos e irmãs, a minha esposa Lêda, a meu filho João, pelo carinho, compreensão e apoio incondicional, nesta longa jornada de trabalho, esperando retribuir-lhes todo esse amor com maior atenção nos anos de vida que me restam. Ao despedir-me, agradeço a Deus por ter vivido a experiência admirável da carreira militar. Levarei comigo as melhores emoções da minha vida, especialmente da convivência fraterna com muitas gerações de fabianos. Aos ilustres convidados, que presenciam esta cerimônia, agradeço a demonstração de apreço e amizade, dedicando-lhes a mensagem do General Octávio Costa, que bem expressa os sentimentos do verdadeiro profissional das armas:

"...A carreira militar não é uma atividade inespecífica e descartável, um simples emprego, uma ocupação, mas um ofício absorvente e exclusivista, que nos condiciona e autolimita até o fim. Ela não nos exige as horas de trabalho da lei, mas todas as horas da vida, nos impondo também nossos destinos. A farda não é uma veste, que se despe com facilidade e até com indiferença – mas uma outra pele, que adere à própria alma, irreversível para sempre"...

Brigadeiro Intendente João Carlos Fernandes Cardoso


OS AMIGOS DO JOÃO


Alguns amigos do João no churrasco de adesão no Rio

Mas as homenagens ao João não se resumiram às cerimônias oficiais. Os Amigos do João não deixaram por menos. Organizaram dois churrascos de despedida para o querido companheiro: um no Rio, outro em Brasília. O primeiro foi no dia 25 de março, na Área de Lazer da VARIG, na Ilha do Governador. A ele compareceram incontáveis Amigos, de todos os quadros, especialidades e antiguidades, além de também incontáveis civis. O Coronel Joaquim Dário d'Oliveira, o nosso Capitão Dário estava lá. E, para mostrar que não perdeu o estilo, bombardeou: "Seixas, você que é o mais antigo, mande o Brito apagar esse charuto!". Também estava lá, depois de longa ausência, o companheiro 57-161, Amado que, com o seu inseparável pandeiro, juntou-se aos outros músicos da turma para tornar a tarde ainda mais inesquecível. O clima era de Clube-do-Bolinha, com ampla liberdade para emprego de palavras pouco usadas, embora constem de todos os bons dicionários.


Mais amigos do João no churrasco do Rio

O único que teve a coragem, talvez por licença poética, de levar a mulher, foi o 56-137, Clarindo dos Santos. Mas não pensem que a Verônica ficou deslocada. Absolutamente, não! Ela participou, com grande integração, das manifestações de alegria da Turma. E, para completar o momento mágico que vivíamos, escreveu e recitou para nós o inspiradíssimo poema que está transcrito abaixo:

ENCONTRO

Entre vocês,
Sou irmã
De sonhos suor e sangue,
Sou menino.
Perdoem-me a saudade
De irmão que não tive
E que, entre vocês, revivo,
A cada instante,
Em cada um desses sorrisos,
Dessas bobagens.

Sou guerreiro/guerreira,
Sou poeta, quase sábio.
Em seus incorrigíveis desejos
Desenvolveremos, quem sabe,
Alguma realização.

Os cabelos embranquecem,
A alma inquire e,
Diante da vida surpreendo-me,
A cada dia renovado e renascido.

Vai, poeta,
Canta teus delírios,
Inebria-te no vinho dos teus versos.
Sonha tuas esperanças e dores de menino.

Barbacena é rota, meta e ninho.
Perdoem-me essa intromissão
Em seus olhos cheios
De tantas fantasias.

Escrevo o meu futuro,
Revejo meu passado
Mas vivo este presente.
Se não fui, quem sabe
Poderia ser?
Quem é que sabe?

Amo vocês,
Isso me basta.
Cada um de vocês, um companheiro,
Um olhar no céu da infância.
A glória à espreita nas dobras
Da farda nova, da mãe distante.

Ah! Quantos sonhos não vivemos...
Ah! Quanta luta em vão
Eu travei ou não.
Que importa agora se,
Entre amigos, sou mais
Um
Ou uma...


Amigos do João no churrasco, ainda...

A saudação formal foi feita pelo Maj-Brig Volotão, Diretor de Intendência da Aeronáutica. Mas todos tiveram a oportunidade de expressar a admiração pelo João. Alguns, mais inspirados e criativos, preferiram manifestar-se pela música. Ente eles, o Cardoso, o Seixas, o Land, o Amado e, naturalmente, o José Nelson que cantou "Não deixe a Noite Dormir", que compôs para a Turma. Outros músicos hão de nos perdoar, pois sabem que a memória sempre nos falta, quando a emoção nos domina. O churrasco teve até direito a bolo. Vocês já tinham visto churrasco com bolo? É, mas o do João tinha! E, convidado a parti-lo, o João reservou a primeira fatia para o Amado, traduzindo a felicidade de todos nós por tê-lo de volta. Depois de agradecer as homenagens prestadas, o João Carlos pediu ao poeta da Turma, o Clarindo, que lesse o texto a seguir, garimpado por um amigo, na Internet. Lamentavelmente não identificamos o autor. Se o fizermos, daremos os créditos em outra edição.

"Venho por meio desta apresentar oficialmente meu pedido de demissão desta categoria. Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades (e idéias) de um piá (menino) de oito anos no máximo. Quero acreditar que o mundo é justo, e que todas as pessoas são honestas e boas. Quero acreditar que tudo é possível Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim, e quero ficar encantado com as pequenas maravilhas deste mundo. Quero de volta uma vida simples e sem complicações. Estou cansado de dias cheios de computadores que falham, montanhas de papelada, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo que existe... Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento. Não quero mais ser obrigado a dizer adeus a pessoas queridas, e com elas, a uma parte da minha vida. Quero ter certeza de que Deus está no céu, e de que, por isso, tudo está direitinho neste mundo. Quero ir ao MacDonald's ou a uma pizzaria da esquina e achar que é melhor do que um restaurante de cinco estrelas. Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel em que vou navegar na poça deixada pela chuva. Quero jogar pedrinhas da água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam. Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada. Quero ficar feliz quando amadurece o primeiro caju ou a primeira manga, quando a jabuticabeira fica pretinha de frutas. Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos. Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida. Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de gude ou uma pelada...Eu quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a "batatinha quando nasce" e a "Ave Maria", e isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia... Voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência das coisas que podem nos preocupar e aborrecer. Eu quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia. E o que é mais: quero estar convencido de que tudo isso vale mais do que dinheiro! Por isso, tomem aqui as chaves do carro, a lista do supermercado, as receitas do médico, o talão de cheques, os cartões de crédito, o contracheque, os crachás de identificação, o pacotão de contas a pagar, a declaração de renda, a declaração de bens, as senhas do meu computador e das contas no banco, e resolvam as coisas do jeito que quiserem!!!! A partir de hoje, isso é com vocês, porque eu me estou demitindo da vida de adulto. Meu lema é: NÃO TENHA MEDO DE SER FELIZ!"


Amigos do João, em Brasília

O Churrasco de Brasília foi no dia 15 de abril, na Prefeitura de Aeronáutica. Desta vez, os organizadores foram os Coronéis Mendes e Iromar, da SEFA, o Coronel Jamesson, Prefeito de Aeronáutica de Brasília, o Coronel de Oliveira, Chefe do GM-6, o Coronel Pinheiro e o Tenente-Coronel David, Chefe e Subchefe do GAP-BR. A saudação ao João Carlos foi feita pelo colega 58–254, Reginaldo dos Santos, primeiro Tenente-Brigadeiro da Turma. Também fez uso da palavra o Coronel de Oliveira, que recitou, de cor, o texto poético, transcrito a seguir:

DESIDERATO

Siga tranqüilamente, entre a inquietude e a pressa, lembrando-se sempre de que há paz no silêncio. Tanto quanto possível, mantenha-se em bons termos, com todas as pessoas. Fale a sua verdade clara e mansamente, mas ouça a dos outros, até a dos insensatos e ignorantes, porque eles também têm a sua própria história. Jamais procure comparar aos ou-tros; isto o tornará presunços ou magoado, pois, no mundo, sempre existira alguém em melhor ou pior situação do que a sua. Mantenha sempre vivo o interesse por sua carreira ou trabalho, ainda que humildes, pois eles representam um ganho real na fortuna cambiante do tempo. Tenha cautela nos negócios, pois o mundo é cheio de astúcia, mas não se torne um cético, porque a virtude sempre exis-tirá. Ouça, com atenção, os ensinamentos dos mais velhos, um justo tributo a quem co-meçou a jornada antes de você, mas também seja compreensível com os arroubos da juventude, pois eles podem trazer, em seu bojo, a força da inovação. Seja comedido em suas amizades e principalmente não simule afeição, mas não seja um descrente do Amor, pois, apesar de tanta aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva. Alimente a força do espírito, que o protegerá no infortúnio inesperado e, quando todas as circunstâncias em torno de você, em determinado momento, se agravarem, pricipalmente não se desespere. Você é filho da natureza, irmão das estrelas e das árvores e, mesmo se você não pode perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino. Mantenha-se, portanto, em paz com Deus, como quer que você o conceba e, sejam quais forem o seu trabalho e as suas preocupações nesta desorientadora confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua própria alma. Apesar de tantos desencontros, tantos desenganos, tantos descaminhos, o mundo ainda é bonito, e você merece estar aqui. Faça tudo para ser feliz. Seja prudente.


O Ten-Brig Reginaldo fez a saudação pelos amigos

Ainda no clima da despedida do João, o Clarindo escreveu, no Rio, o belíssimo poema com que encerramos esta reportagem:

PAU DE REMO

Mar revolto,
     barco à deriva,
            remo partido,
                 finda missiva.

Canto cantado,
     pranto chorado,
           vida sem Norte.

Mãos calejadas,
     rede rasgada,
           dia sem sorte.

Acordo assustado,
      olho pro lado;
           assunto, onde estou?

Perdido no Mundo,
      envolto em sonhos,
            sedento de amor.

...Do pau fiz um remo,
      dos pés fiz a proa;
            da cabeça, popa,
                  ...do corpo, canoa.

56-137, Clarindo dos Santos



CHEFINHO
Lembrança do Bloise


57-115, Antônio Freire Bloise

Chefinho! Assim o Bloise me chamava. Este apelido era de seu uso exclusivo, pois todos me conheciam por "Velha Base" ou "Old Base", além do número que era Quarenta. Tudo começou quando fui designado para o pomposo cargo de Chefe de mesa (mesa 22), no segundo ano de EPCAR. Para minha alegria (mais tarde, tristeza), os oito integrantes da mesa eram colegas de 57 – quatro do primeiro ano e quatro "repes". Lá estavam João Carlos, Bloise, Aydano, Calvino, Elesbão, Kato e mais dois outros de quem não me lembro (eram muito "moitas"). Difícil missão, a de manter a disciplina, especialmente, com o Bloise dizendo: Chefinho, qual é a orientação? Quais são as ordens? Chefinho, qual é cardápio de amanhã? A primeira dificuldade era com os bifes, oito na bandeja, de tamanhos variáveis. Por sugestão do Bloise, como todos éramos colegas da mesma turma, a cada dia deveria haver rodízio para definir a ordem em que os alunos se serviriam, em vez de usarem o critério de antiguidade. Além disso, o último a servir-se, , a quem caberia o menor bife, seria o primeiro "peru" na "repe", retornando a bandeja por via inversa. E assim, seguíamos, em harmonia, apesar de alguns serem freqüentadores da quarta parte do boletim diário. Um belo dia, um daqueles dias em que a comida estava péssima, e para completar, o leite estragado, o nosso 01, carinhosamente chamado de Bambam, deu o seguinte aviso: "Atenção, rancho! Não bebam do leite! Está azedo!" O Oficial-de-Dia tomou suas providências, chamando um médico para examinar o leite. O refeitório esvaziou-se rapidamente, o que permitiu ao médico colher amostra do produto em várias mesas, sendo também eleita a de nº 22. Encontrou o vasilhame de leite cheio de talheres, restos de comida, guardanapos...um horror! Por dever de ofício, deu parte da mesa, quer dizer, dos oito alunos. Lembro-me de que dois deles não participaram da brincadeira. Na hora de justificar falta (ou tentar) o Cap. Dário chamou um de cada vez, começando pelo mais moderno. Quando, ao final, revelei que também eu havia cometido a falta, o Capitão deu um salto e me passou uma tremenda "esculhambação", além, é claro, de me contemplar com quatro dias de detenção. Os demais (que confessaram), receberam 2 dias. A minha punição foi mais rigorosa por ser eu o chefe da mesa. Desse episódio, pudemos tirar muitos ensinamentos, que poderiam servir de "pano de fundo" para outras histórias, mas o que ficou de mais forte foi o meu respeito pelo Bloise (um dos poucos que confessaram), por ter-me dado a "maior força" naquele momento, chegando a dizer que, para ser um militar pleno, sem perder os anos da juventude, não poderia o aluno ou o cadete ser muito "padrãozinho". O Bloise, sempre muito alegre, continuou a chamar-me de "chefinho", onde quer que me encontrasse. Era um dos poucos que conseguiam fazer gozação comigo, em qualquer lugar, sem que eu me aborrecesse. Ao contrário, gostava muito daquele tratamento carinhoso. Um dia, numa reunião em São Paulo, eu já brigadeiro, integrando a comitiva do Diretor de Intendência, ao entrar no auditório onde ocorreria uma reu-nião de trabalho, ao passar pelo amigo, falei-lhe baixinho: – "Você me respeite. Aqui eu sou autoridade". Ele se comportou bonitinho, durante a reunião. Mas na hora do coquetel, contou "causos" e mais "causos" a meu respeito e, naturalmente, aqueles que envolviam a mesa 22. Foi, realmente, a melhor parte daquela confraternização. Agora que o companheiro Bloise se foi, gostaríamos de fazer-lhe uma homenagem. Tendo-se formado Oficial Intendente em 1964, destacou-se como administrador versátil, vindo a assumir importantes cargos de Chefia em muitas Organizações Militares, dos quais destacamos: Comandante de Esquadrão de Intendência da Base Aérea do Galeão, Prefeito de Aeronáutica de São Paulo, Subdiretor de Abastecimento da Diretoria de Intendência da Aeronáutica (cargo de brigadeiro), Subchefe de Economia e Finanças do EMFA (cargo de oficial-general). O Bloise sempre demonstrou, com seu espírito inovador e descontraído, que o homem faz a função, e não esta amolda o homem. A missão da Organização Militar está definida em atos normativos, mas nem sempre as atribuições de seus elementos constitutivos estão claramente definidas. Cabe ao Chefe, com seu estilo próprio, empreender as ações necessárias para o êxito da missão. E o Bloise foi sempre um grande Chefe, que soube deixar a marca de sua competência profissional, em benefício de nossa Força Aérea. Mesmo na reserva, continuou a prestar relevantes serviços à Instituição. Foi contratado pelo IV COMAR para exercer as funções de Chefe do Serviço Regional de Intendência, sendo responsável, principalmente, pelo gerenciamento de atividades afetas aos militares e civis inativos e a seus pensionistas. Em nossa última reunião da Turma 57-BQ, em São Paulo, mesmo convalescendo de grave enfermidade, era um dos mais alegres participantes daquele memorável encontro. Jamais temeu a morte, mas esta preparou-lhe uma emboscada, quando ele estava de férias, "curtindo um solzinho", na Região dos Lagos. Bloise, amigo nosso de tantos anos, ainda bem que você estava alegre no momento de sua passagem. Continue assim e reserve uma "ampola" para comemorarmos o nosso reencontro. Agora você é o chefinho. Cuidado com o Cap. Pedro!
Saudades fraternas.

57-40, João Carlos



TUDO TEM SOLUÇÃO: SÓ DEPENDE DE NÓS

Fui tomado de uma satisfação incontida, ao ler, no último número de O Con*dor, as palavras de exortação de nosso companheiro Luzardo, para que abandonássemos a perplexidade, a apatia, e a insensibilidade que tomaram conta de todos nós e que nos impede de vislumbrar soluções para os terríveis problemas do cotidiano. Fiquei muito contente por você Luzardo, pois percebei, pela essência do seu texto, que Deus havia colocado a mão no seu ombro. E isto ficou patente, quando, por três vezes, você se referiu aos "nossos filhos e netos". Acho que o mesmo também acontece comigo, porque, ultimamente, só consigo me preocupar com o futuro dos nossos filhos e netos. Já há algum tempo, venho indignando-me com tantos fatos ruins que nos estão acontecendo: desestruturação familiar, violência, tóxicos, injustiças sociais, corrupção, desemprego etc., etc.. E, quando isto acontece, minha cabeça fica fervilhando de idéias. Há alguns anos, eu – como tantos outros, não acreditava que tais problemas pudessem ter solução. Hoje não! Não sei se por inspiração divina ou por que outra razão, começo a ver saída e solução para todas as nossa mazelas. Obviamente, não são problemas de fácil solução. Mas, acreditem nisso: é possível solucioná-las, desde que iniciemos um trabalho de mobilização e esclarecimento, de mais e mais pessoas, com o intuito de exigirmos melhor qualidade de vida para nosso povo, qualidade esta, que seria alavancada por medidas eficazes para solucionar os problemas mais prementes, que afligem a grande maioria dos brasileiros. Certamente, não iremos conseguir isso "deitados em berço esplêndido". Se não pressionarmos as nossas autoridades dos três poderes da união, não teremos sucesso. Nada de bom irá acontecer. Agora, se chegarmos às vésperas das eleições de 2002, sem que, nada ou muito pouco tenha sido realizado, mas se tivermos conseguido conscientizar a grande maioria dos eleitores brasileiros, independentemente dos seus credos políticos, para votarmos em branco, para todos os cargos eletivos, estaduais e federais, - iremos dar uma grande demonstração de força e de consciência cívica. Passarão a nos respeitar como cidadãos, com receio de perderem seus empregos. E, se esta maioria esmagadora chegar ao nível percentual que imagino, teremos condições de interpor outros recursos junta a Justiça Eleitoral , alegando falta de representatividade popular, de forma a inviabilizar a posse daquelas que conseguirem amealhar alguns votos. Sei que, para muitos de vocês, tudo isso soa como uma grande utopia. Entretanto, só o será, se não acreditarmos que é possível e não agirmos com nossa coragem e determinação. Por favor, lembrem-se de exemplos do passado: antes de acontecer, a queda da Bastilha e a derrubada do Muro de Berlim eram vistas, por muitos, apenas, como duas grandes utopias... Já, há algum tempo, venho pensando em escrever um livro sobre as muitas idéias que me chegam à mente. Neste momento, já não tenho qualquer duvida de que devo fazê-lo. Exponho, a seguir uma síntese das idéias que tenho para solucionar dois problemas, que julgo de maior prioridade: Primeiro, parece óbvio, a todos nós, que só conseguiremos acabar com a violência ou reduzi-la a níveis toleráveis se conseguirmos acabar com o uso indiscriminado de armas. Quando falo isto, não estou fazendo restrições apenas ao uso de armas em poder dos marginais ou daqueles potencialmente marginais. Não! Estou a referir-me, também aos sócios de carteirinha "do clube dos honestos e responsáveis", porque são eles, também, os causadores de uma boa parte daquilo que poderíamos chamar de "violências imprevistas". E falo isso com a autoridade de um sexagenário que nunca usou armas - a não ser na caserna. Só deveríamos admitir duas únicas exceções: os policiais e os militares. E mesmo assim quando em serviço. Neste momento, impõe-se uma pergunta: como conseguiríamos isto? Não vejo outra solução que não seja por meio da aprovação, pelo Congresso, da pena de morte para todos aqueles que ousarem tirar ou tentar tirar a vida de alguém com uma arma. Sei que, muitos de nós são contra a pena de morte, até por razões religiosas. Por outro lado, muitos puristas "safados" vivem repetindo, sempre que se fala do assunto, que a culpa de muitos e muitos crimes é da sociedade, mas de que sociedade eles estão falando? Seria por acaso, da sociedade das pessoas de bem? Ou seria a sociedade dos canalhas que são responsáveis pela miséria a que submetem grande parte do nosso povo? E nós - as pessoas de bem - é que vamos pagar a conta com nossas vidas? Mas, afinal, que justiça é esta? Não, meus amigos, não é justo e não está correto. Temos que propugnar - sim - pela pena de morte, até porque precisamos dar um basta no cinismo de muitos deles que, por falta de punição adequada, estão dando declarações como aquela de outro dia na revista veja: "Quem mata é Deus. Eu apenas faço os furos". Então só nos resta falar no mesmo tom: "Quem mata é Deus. Nós só iremos soltar o gás ou acionar a chave de alta tensão". O outro grande problema que temos de solucionar é o da desestruturação da família. Pena que o espaço de que dispomos, seja pequeno para apresentar a minha teoria por inteiro. Contudo vou procurar ser conciso. Um dos grandes equívocos que cometemos quando decidimos constituir família é confundirmos paixão com amor. Para muita gente parece tudo a mesma coisa. Entretanto, não é. Tanto que comumente fala-se em fazer amor; quando o certo seria fazer paixão. Referimo-nos ao amor a primeira vista; quando o certo seria paixão à primeira vista. E por que seria importante entender mais esta diferença? Simplesmente, porque a paixão é, puramente, fruto de desejo sexual, enquanto o amor é um sentimento nobre, que acontece até entre pessoas de mesmo sexo, como pai e filho, mãe e filha, e, também, entre irmãos. É o amor e não a paixão a condição essencial para que se possa estruturar uma família em bases sólidas. Até porque o verdadeiro amor não acaba com a facilidade que muita gente pensa. A paixão sim! E é, justamente, por causa desta confusão, que nos acabamos casando por paixão. E quando a paixão acaba, o que acontece? Antigamente, como a educação paterna era muito severa, não se admitiam separações, e os casais eram obrigados a se conformar com sua sorte e seguir em frente, representando cada um o seu papel na farsa. Fingiam que se amavam, e os filhos fingiam que acreditavam. Hoje, aquele modelo repressor não existe mais, e os casais modernos não aceitam mais representar a farsa. As conseqüências, estamos cansados de ver: a cada mês, a cada ano, é maior o número de separações. Muitos de nossos filhos traumatizados pelas separações, nem querem saber mais de casamento. Mas, acabam tendo filhos com as pessoas erradas. E aí, o que vamos fazer? Não vejo outra solução que não seja a reversão das expectativas. Observemos o seguinte: já de há muitos e muitos anos são concedidas todas a facilidades para que as pessoas se casem. Se você for comprar um simples eletrodoméstico, a prazo, provavelmente, terá mais dificuldades do que para se casar com alguém. Temos de começar a criar dificuldades. Temos de exigir garantias de que "aquele" casamento tem tudo para dar certo. E que garantias essas? Os noivos teriam de provar, diante de um juiz de vara de família, que conviveram, em união estável, durante, pelo menos, cinco anos. Nesse período de experiência, não poderiam ter filhos, sob pena de sofrerem as mesmas sanções que se pretende aplicar às produtoras independentes, das quais falaremos mais adiante. Teriam, ainda de levar testemunhas que pudessem afiançar que viveram bem durante o período em que foram vizinhos mais próximos. Todos teriam, enfim, de apresentar documentação que comprovasse tudo que afirmassem ao juiz. Alguém diria: até aqui tudo bem. Mas e quanto aos "favelados" ou meninos de rua de 13, 14, 15, 16 ou 17 anos, que já estão transando irresponsavelmente, sem o mínimo de orientação para evitarem filhos? Bem, aí vamos ter que jogar pesado: menina teria que, por ocasião do parto, fazer ligação de trompas, enquanto o pai, devidamente comprovada a paternidade por meio de teste de DNA, seria obrigado a se submeter a uma vasectomia. Poderiam continuar transando pelo resto de seus dias, porém nunca mais poderiam colocar infelizes no mundo. Quanto aos recém nascidos, após o período de amamentação, seriam levados para creches de responsabilidade do Estado ou do Município, para conviverem com pessoas capazes de lhes dar amor, carinho, educação e dedicação, que é o que mais irão precisar na vida. Como vêem, soluções existem. No entanto, no ponto em que as coisas chegaram, teremos que ser duros e radicais. O que não se deve fazer é perder tempo com campanha "soft", do tipo "marcha contra violência e pela paz" ou "Rio desarme-se". Com campanhas assim, nunca conseguiremos nada,. Apenas fazer papel de otários...

57-13, Nunes.


Querido Nunes.
Os temas que você abordou são extremamente polêmicos e requerem reflexão muito ponderada de todos nós, de acordo com nossas consciências. Compreendemos a desesperança que o deve haver levado a produzir esse texto e estamos solidários na sua angústia. Não obstante, somos, por princípio, contrários à pena de morte. Também o somos por razões pragmáticas: jamais deveríamos cometer a imprudência de autorizar o Estado a sair matando por aí. Sem matar, oficialmente, ele já faz muito mal. Além disso, será que nós nos queremos igualar, em selvageria, aos irmãos do norte, cujos políticos usam a vida de condenados como moeda de troca para garimpar mais alguns poucos votos, em suas campanhas eleitorais? Por fim, não nos parece boa prática votar em branco, mesmo, como protesto. Se não existe um bom candidato, sempre haverá um menos pior, por mais difícil que, às vezes, seja identificá-lo. Que Deus nos ajude!

A REDAÇÃO


AUTORIDADES


Ten-Brig-do-Ar Flávio Lencastre, Cad. 60-121 e Ten-Brig-do-Ar Reginaldo dos Santos, Al. 58-284

No dia 31 de março, foram promovidos a Tenente-Brigadeiro, último posto na hierarquia da Aeronáutica, os nossos colegas 58-254, Reginaldo dos Santos e 60-121, Flavio de Oliveira Lencastre, depois de terem percorrido carreiras pontilhadas de grandes realizações pessoais que sempre souberam conduzir em proveito da Aeronáutica brasileira. O primeiro, tornou-se um cientista respeitado internacionalmente e é, hoje, o Diretor Geral do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento. O outro, um piloto de caça de primeira linha quando mais jovem, especializou-se, posteriormente, em Administração de Pessoal, sendo o atual Comandante Geral do Pessoal.


Integrantes da Turma em foto histórica no Salão Nobre do
Comando da Aeronáutica, com os colegas promovidos

Aos nossos queridos companheiros e às suas famílias, os melhores votos de felicidade e sucesso continuado, com o abraço fraterno dos integrantes da Turma 57-BQ/Aspirantes 62.


NÃO PERCAM!


A Turma foi a São Paulo para a despedida do Manoel


Na próxima edição, Mai-Jun/2000, sairá a cobertura completa da despedida do serviço ativo da Aeronáutica do nosso estimadíssimo companheiro, 57-12, o Maj-Brig-do-Ar Manoel Carlos Pereira.


O CON*DOR

O Con*dor é uma publicação sem fins lucrativos, destinada à divulgação de assuntos de interesse da Turma 57-BQ/Aspirantes 62, a Turma Quase Perfeita. Está, porém, aberto a companheiros de outras turmas que, com ele, queiram colaborar. É editado, bimestralmente, sob a responsabilidade da Representação da Turma.

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Carlos Rogério C. Baptista
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