DESPEDIDA DO MANOEL CARLOS


O Maj Brig-do-Ar Manoel Pereira com os seus colegas
da Quase Perfeita no dia de sua despedida da FAB

Mais um companheiro se despede do Serviço Ativo da Aeronáutica. Desta vez, foi o muito querido e admirado 57-12, Manoel Carlos Pereira. O Manoel Carlos é Major-Brigadeiro-do-Ar, tendo atingido esse posto após mais de quarenta e três anos de inestimáveis serviços prestados ao Ministério da Aeronáutica e à Força Aérea Brasileira, que dele era parte, durante praticamente todo o tempo em que permaneceu na ativa. De tão importante, a Força Aérea Brasileira chegou a confundir-se com o seu Ministério e, muitas vezes, substituí-lo em referências oficiais. Foi, justamente, na FAB, que o Maj.-Brig. Manoel Carlos iniciou e desenvolveu grande parte de suas atividades profissionais, sempre exercidas com extraordinária eficiência. Em nenhuma das fases de sua carreira e, especificamente, em nenhum posto, deixou de exercer funções operacionais na Força a que tanto se dedicou. Não menos importante foi a sua contribuição para a alta administração do Ministério da Aeronáutica. Em todos os Cargos, no Brasil e no exterior, deixou a sua marca de serenidade, segurança e perfeição. Em um País onde os administradores preferem contabilizar ignorância, erros, fracassos, nas folhas de alterações do nosso Manoel não se encontra nada disso. Somente sabedoria, acertos, sucessos! No dia 13 de abril, o Maj-Brig Manoel Carlos passou o Comando do IV Comando Aéreo Regional ao Maj-Brig-do-Ar Barbedo, a quem a Redação de O CON*DOR deseja uma administração bem sucedida e feliz. No mesmo ato, o nosso colega encerrou mais uma página de sua vida e transferiu-se para a Reserva Remunerada, deixando, assim, o Serviço Ativo da Aeronáutica, despedindo-se da sua querida, da nossa querida Força Aérea. Temos certeza de que o Manoel Carlos ainda tem muito a dar à nossa Pátria, que está tão carente de amor, respeito, lealdade e, sobretudo, de defesa. Com mais tempo agora disponível (tempo aliás talvez fosse a única coisa que lhe faltasse, muito embora soubesse administrá-lo muito bem) poderá o nosso colega doar os extraordinariamente excepcionais talentos que Deus lhe deu a todos aqueles que deles necessitam no nosso Brasil.

Querido Manoel Carlos, muita saúde, felicidade e grandes realizações, para você, Sônia e toda a sua família, desejam-lhe os seus colegas de turma, amigos e admiradores. Seja bem-vindo!

A REDAÇÃO


PASSAGEM DO CARGO DE COMANDANTE DO IV COMAR


O Maj Brig-do-Ar Manoel Pereira passa o comando do IV COMAR

ORDEM DO DIA

MENSAGEM DE DESPEDIDA DO
MAJ.-BRIG.-DO-AR MANOEL CARLOS PEREIRA

É chegada a hora de mais uma despedida. Acreditava já estar acostumado com elas, tão presentes nesta profissão que a generosidade do destino, um dia, me ofereceu. Desta vez, no entanto, a despeito das minhas idade e experiência tentarem amenizar, cresce, em mim, o profundo sentimento de perda que antecede um momento de adeus. Hoje, ao mesmo tempo em que entrego este honroso cargo, deixo, definitivamente, a Força Aérea Brasileira, à qual, de forma tão intensa, associei a minha vida desde os 17 anos. Encerro, aqui, uma jornada iniciada em 07 de março de 1957, quando, junto com outros 171 adolescentes, aprovados todos em concurso nacional, apresentei-me na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, na cidade de Barbacena, em Minas Gerais. Relembro, com saudade, que, ali, naquela Escola, já nos primeiros dias de convivência, a Força Aérea, como uma deusa encantadora, nos enfeitiçou a todos. Comigo, confesso, foi caso de amor à primeira vista. E, ainda que não soubesse o que o Alto-Comando da Aeronáutica, daquelaépoca, deliberava ou o que planejava como destino para cada um de nós, sem mesmo saber que ele existia, tomei, de imediato, uma importante decisão: só me separaria da Força Aérea quando ela não mais me quisesse, quando fosse, por ela, rompida aquela que eu desejava se tornasse uma duradoura e rica relação. O tempo voou por 43 anos. Diante da singular perspectiva que o passar do tempo me ofereceu, para minha alegria, ficou, a cada instante mais nítido, o acerto daquela decisão. Constato, hoje, que, com exceção de transformar-me em um homem rico, no sentido usual em que esse termo é reconhecido, a Força Aérea Brasileira me deu e concedeu tudo:

- Desde o privilégio de ser um de seus Oficiais-Aviadores, à honra de me tornar um integrante do seu legendário 1º Grupo de Aviação de Caça;
- Da longa vivência operacional em algumas de suas mais importantes unidades, ao jubilo de comandar o seu 1º Grupo de Defesa Aérea, equipado com o que ela tinha de mais moderno e letal: seus aviões Mirage;
- Do orgulho de, em inúmeras oportunidades, representá-la no Brasil, à enorme responsabilidade de falar em seu nome, por diversas vezes, no exterior;
- Da prerrogativa das sucessivas promoções até o meu atual posto, à distinção maior de, como um de seus Oficiais-Generais, exercer o Comando da sua III Força Aérea, do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro e, a partir de fevereiro do ano passado, deste seu importante Comando Aéreo Regional.

Resultado dos naturais momentos de reflexão que antecedem uma despedida, constato, vaidoso, que, por 28 anos, exerci funções relacionadas com o emprego operacional da Força Aérea ou das Forças Armadas e que, em 10 desses anos, seja como Capitão, Major, Tenente-Coronel, Coronel, Brigadeiro ou Major-Brigadeiro, exerci funções de Comandante. Mas não foi somente no plano estritamente profissional que a Força Aérea me revelou riquezas. Em uma de suas Bases Aéreas, a de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, eu, Tenente, na filha de um Major, conheci o amor maior da minha vida e que, há 30 anos, é minha esposa. E foi, também, em seus hospitais que nasceram nossas filhas. Mas, se enalteço a Força Aérea, como agora faço, a bem da verdade, devo esclarecer, que, ao deixá-la, não me sinto, em nenhum sentido, um devedor. À sua sempre exuberante prodigalidade, respondi com o que de melhor tinha em mim. Ofereci o melhor do meu trabalho, dediquei minha vida, entreguei-me por inteiro. É, portanto, de uma formidável parceria que tenho plena consciência de estar, agora, verdadeiramente, despedindo-me. Por tê-la vivido, agradeço a Deus, a quem estão subordinadas todas as nossas vontades. Pelo suporte que tive, na ordem em que ele foi exigido, agradeço:

- Aos meus pais, Amélia e Manoel Alves Pereira, e aos meus irmãos, Maria José e Armando, que tudo fizeram para que eu, o filho mais novo e mimado irmão, diferentemente deles, pudesse ter os benefícios de uma indispensável educação;e
-À minha mulher, Sonia Regina, que, aliada inseparável, em decorrência das exigências da minha carreira, por tantas vezes, teve de lesar a sua realização plena na própria profissão.

Especificamente, em função do cargo que ora deixo:

- Expresso o meu reconhecimento a todos os integrantes do IV Comando Aéreo Regional, homens e mulheres, civis e militares, de todos os postos e graduações, oficiais, suboficiais, sargentos, cabos, soldados e taifeiros, deste Quartel-General e de todas as Organizações Subordinadas, pelas incontáveis demonstrações de dedicação, desprendimento e abnegação, das quais fui testemunha privilegiada, graças às prerrogativas do meu cargo;
- Registro a minha gratidão pela fidalguia de que fui alvo, aos incontáveis e generosos amigos da minha querida São Paulo, os quais, ao longo do tempo que aqui passei, me brindaram com gestos e atitudes tão plenos de calor e de carinho que eu imaginava, fossem, apenas, privativos de ilustres visitantes;
- E manifesto, também, minha satisfação por ter, como substituto, o Major-Brigadeiro-do-Ar Luiz Fernando Barbedo que, por suas reconhecidas competência e experiência, reúne as garantias de sucesso na importante etapa de sua carreira que ora tem início.

Por último, à Força Aérea Brasileira, minha inesquecível parceira de mais quatro décadas, faço minha derradeira confissão:

Deixo, a partir de hoje, de, vaidoso, ostentar teu uniforme, mas continuará por ti, batendo, sempre mais forte, meu coração.

Maj-Brig-do-Ar Manoel Carlos Pereira


O Cel Av Camanazo, Cmt do BACG, entrega ao Maj Brig Manoel Carlos
um quadro com os emblemas de todas as unidades em que serviu



SAUDAÇÃO DO COMANDANTE- GERAL DO AR


O Maj Brig Manoel Carlos recebe a insígnia de seu posto das mãos de sua Ajudante de Ordens

Quarenta e três anos nos separam dos idos de março de 1957, quando o Aluno 57-12 cruzou os umbrais da Escola Preparatória de Cadetes-do-Ar em Barbacena. Podendo optar por uma série de profissões, o jovem Manoel Carlos Pereira escolhera a carreira das Armas ao decidir ingressar na Força Aérea Brasileira. Aprovado com excelente classificação nos exames intelectuais, superou, também, a rigorosa aferição do estado de saúde, requisitos essenciais à sua admissão na saudosa EPCAR. Deixando, muito cedo, sua terra natal, a capital do Estado de São Paulo, haveria de juntar-se a uma plêiade de jovens que, como ele, sonhavam sagrar-se Cavaleiros do Ar. Pari passu, o aluno 57-12 superaria sucessivas etapas. Aulas, instrução militar, educação física, esportes e outras atividades típicas das Escolas Militares, antes de representarem apenas uma obrigação, constituíam motivo de constante dedicação, de vibração e, sobretudo, de fortalecimento de suas convicções, de seu sonho de alçar-se aos ares. Três anos mais tarde, tornar-se-ia um Cadete-do-Ar e conheceria o indiscritível prazer de solar o FOKER, T-21. A paixão pelo vôo contribuiria, decisivamente, para aumentar a persistência e a vibração que o conduziriam ao ambicionado Aspirantado, em dezembro de 1962. Após cumprir o Estágio de Seleção de Pilotos de Caça no 1º/4º GAv, na Base Aérea de Fortaleza, o então 2º-Ten.-Av Manoel Carlos Pereira seria classificado no 1º Grupo de Aviação Caça, no final de 1963. Tendo servido naquela Unidade Aérea de escol por três anos, ali exerceu várias funções, dedicando-se, sobretudo, ao vôo e obtendo a qualificação de Líder de Esquadrilha de Caça. No período de 1967 a 1972, ministrou instrução de Aviação de Caça no 1º/4º GAv, em Fortaleza, onde revelou novas qualidades como Oficial de Operações e completou sua progressão operacional, tornando-se Líder de Esquadrão de Caça. Nessa época, exerceu, interinamente, o cargo de Comandante de Esquadrão. A partir de 1973, por cinco anos consecutivos, foi piloto e instrutor de vôo do GTE, tendo alcançado inúmeras marcas operacionais, destacando-se como o piloto mais voado em aeronaves HS-125. Retornou, em seguida, à Aviação de Caça, assumindo o Comando do Primeiro Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis. Voando o F-103, MIRAGE, atingiria o ápice de sua carreira como piloto de combate. Nos planos administrativo e operacional, exerceu, como Oficial-Superior, importantes cargos, todos diretamente correlacionados com a operacionalidade da Força Aérea Brasileira. Assim, serviu, sucessivamente, no Comando de Defesa Aérea, no Comando-Geral do Ar, no Gabinete do Ministro da Aeronáutica e, novamente, no Comando-Geral do Ar. O brilhantismo com que exerceu diferentes cargos naquelas Organizações, aliado à sua dedicação e sólidos conhecimentos profissionais foram alguns dos fatores que o credenciaram para exercer o Comando do Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo, onde o, então, Cel.-Av. Manoel Carlos reeditaria o sucesso obtido no exercício de outros importantes Cargos. A seguir, foi destacado para prestar serviço no exterior, em Paris - França - como Chefe da Comissão de Recebimento e Fiscalização de Material do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro. Atuando com as mesmas vibração e energia do tenente de outrora, logrou desincumbir-se, com proficiência, de suas atribuições. Retornando ao Brasil, ainda como coronel, foi designado para o cargo de Chefe do Estado-Maior Combinado do Núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro e, em seguida, Chefe Interino da 2ª Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica. Seu magnífico desempenho ao longo de sua notável carreira, juntamente com seus atributos pessoais, o credenciaram para ser promovido a Brigadeiro-do-Ar, em 31 de março de 1993. Nesse posto, foi designado para os cargos de Subchefe de Aeronáutica no Estado-Maior das Forças Armadas e Chefe da Terceira Subchefia do Estado-Maior das Forças Armadas e, posteriormente, de Comandante da Terceira Força Aérea. Desnecessário seria enfatizar o êxito obtido no exercício de todas essas Comissões, mercê de sua meritória atuação. Promovido ao posto de Major-Brigadei-ro-do-Ar, novos e importantes cargos o aguardavam: o de Comandante do Co-mando de Defesa Aeroespacial Brasileiro e o de Comandante do Quarto Comando Aéreo Regional. A esses novos desafios, o Major-Brigadeiro-do-Ar Manoel Carlos Pereira respondeu com sua habitual vibração, com sua inteligência e dedicação. Tudo isso haveria de resultar na reedição dos sucessos anteriores, com inequívocos benefícios para a Aeronáutica e, particularmente, para o Comando-Geral do Ar. A respeito do Comando do COMDABRA, releva destacar que, por um longo período, esse cargo foi exercido cumulativamente com o de Comandante da Terceira Força Aérea, logrando manter os elevados padrões operacionais dessas Organizações. Brigadeiro Manoel Carlos, como derradeira missão, teve V. Exa. o privilégio de, em sua terra natal, comandar o IV Comando Aéreo Regional. Por suas características, pela estratégica condição do Estado de São Paulo e da área de responsabilidade desse Comando, pode-se aquilatar a envergadura do Cargo exercido por V. Exa. com a habitual proficiência já demonstrada em outras comissões. Nesta data, de 13 de abril de 2000, V. Exa. entrega o Comando do IV Comando Aéreo Regional e passa, a pedido, para a Reserva Remunerada. Nesta oportunidade, o Comandante-Geral do Ar não poderia deixar de apresentar, em nome do Comando da Aeronáutica, do Comando-Geral do Ar e, especialmente, em seu próprio nome, os mais sinceros e expressivos agradecimentos ao Maj.-Brig.-do-Ar Manoel Carlos Pereira por seu profissionalismo, sua dedicação e sua decidida contribuição para o engrandecimento da nossa Instituição. Faço-o convicto de que o anima, ainda, o mesmo ideal que nos conduziu, em épocas diferentes, à saudosa Escola Preparatória de Cadetes-do-Ar, em Barbacena. Faço-o cônscio de que o ideal que nos levou a encontrar um sentido para a vida, na nossa querida Força Aérea Brasileira, continuará, sempre, presente em nossas mentes e em nossos corações. Apresento-lhe, pois, Brigadeiro Manoel Carlos, meus votos de plena felicidade ao lado de D. Sônia e de suas filhas Andréa e Cláudia, desejando-lhes muita paz, saúde e continuado sucesso, nessa nova etapa de sua vida que hoje se inaugura.
Que Deus os acompanhe e proteja.

Ten.-Brig.-do-Ar
HENRIQUE MARINI E SOUZA
Comandante-Geral do Ar



PROH PUDOR!
De Política e Promoções


Maj Brig Manoel Carlos, retidão de Postura Militar e de Caráter

Sei que alguns companheiros julgam que O Con*dor não deveria manifestar-se sobre assuntos políticos. Isso, porém, não é possível. O homem é um ser essencialmente político. Não me refiro à política partidária, pois, nesse caso, O Con*dor respeita, como não pode-ria deixar de ser, a pluralidade de percepções dos integrantes da Turma 57-BQ/Aspirantes 62. Refiro-me à política maior, aquela voltada para o bem-comum, para a sobrevivência da nacionalidade, para a defesa dos interesses brasileiros. Somente os alienados desconhecem esses aspectos da política, no ambiente em que vivem. Quem poderia ficar indiferente, diante do aumento do salário mínimo para cento e cinqüenta e UM reais? Um escárnio! Não! Escárnio é muito pouco! É palavra muito bonita. É eufemismo para deboche, cabotinice, cinismo. Quem poderia manter-se indiferente, diante da ilegitimidade de um governo que realiza uma administração predatória, submissa aos interesses alienígenas e verdadeiramente suicida? E que se reelege e se pretende perpetuar às custas de maiorias construídas, caso a caso, por meio de corrupção e suborno, como tem sido claramente divulgado pela imprensa? E usa os mesmos expedientes espúrios para impor mudanças ditatoriais à Nação, diante de um Congresso débil e submisso? Quem poderia permanecer indiferente ao mar-de-lama em que vivem e disputam nossos políticos? É difícil identificar, na maioria das vezes, quem é o bandido e quem é o mocinho.Talvez porque todos os envolvidos, acusados e acusadores, sejam bandidos. Quem poderia ser indiferente à ilegitimidade da opção preferencial pelos banqueiros? A última evidência encontra-se na recente indignidade de autorizar-lhes a cobrança de juros sobre juros, na contra-mão dos anseios da sociedade. No meio de tudo isso, boas notícias! Acabam de ser promovidos a Tenente-Brigadeiro dois dos mais brilhantes integrantes da nossa turma, os companheiros 58-254, Reginaldo dos Santos, e 60-121, Flavio de Oliveira Lencastre. Meus parabéns, queridos companheiros! Vocês, sem dúvida, irão destacar-se em todas as organizações, em todas as comissões, em todos os colégios de que participarem. Infelizmente, para estragar a nossa alegria, a ilegitimidade governamental a que me referi, projeta-se sobre todos os órgãos de governo que dele derivam. Vale a pena refletir: como ficar indiferente ao ver o nosso extraordinário companheiro 60-118, Aluízio Weber, tornar-se mais uma vítima dessa ilegitimidade, ao ser apressadamente afastado da Direção do Centro Técnico Aeroespacial, por defender os interesses brasileiros das investidas estrangeiras, que, como sempre, contavam com o apoio irrestrito dos brasileiros "estrangeirizados" do governo. E, ainda, como restar indiferente diante do que aconteceu com os nossos companheiros, 60-118, Aluísio Weber, 57-12, Manoel Carlos Pereira, 57-54, Antônio dos Santos Seixas e 57-62, Marcus Vinícius Pinto Costa que, tendo sido incluídos na lista de escolha para promoção ao posto de Tenente-Brigadeiro, deveriam permanecer, ainda, na ativa, talvez, por mais um ano e meio, até que houvesse nova vaga para aquele posto. Pois bem, todos foram vítimas de um expediente ilegítimo, que usurpa a decisão de um Alto-Comando, que ainda não se constituiu e que, somente, decidiria sobre o assunto, quando se materializasse a referida vaga. Para quem não sabe o que aconteceu, os companheiros citados receberam um telefonema em que lhes foi dito que todos haviam entrado na lista de escolha, mas que não seriam mais promovidos. Que, da nossa turma, somente seriam promovidos dois, e esses dois já o haviam sido. Como que para dar a aparência de normalidade, foi-lhes pedido que permanecessem em seus cargos. Mas para completar o terrorismo telefônico, o conteúdo da conversa foi divulgado para todos os cantos do País, expondo ao ridículo oficiais-generais sérios que se não comparam a certas caricaturas que, às vezes, encontramos por aí. Ações deste tipo ficariam melhor como cena de sadismo em filme de terror. Além do mais, se o atual Alto-Comando verdadeiramente desejasse, de forma legítima, antecipar-se ao que ocorreria com a próxima vaga, a solução seria a não inclusão, na lista, dos nomes que julgassem que dela não deveriam constar. Mas isso não foi feito. Desse modo, a decisão ficaria para outra constituição do Alto-Comando, a quem, caberia, em outra conjuntura, decidir quem entraria na nova lista. Caberia, mas não caberá. Pelo expediente descrito acima, quase todos os companheiros pediram passagem para a reserva. A nossa turma tentou convencê-los a que não mordessem a isca, apresentando-se, normalmente, como candidatos à próxima vaga de Tenente-Brigadeiro. Mas o esforço resultou frustrado, e quase todos terminaram por apresentar seus requerimentos de passagem para a reserva. É muito difícil aceitar que tudo isso tenha acontecido por incompetência ou desconhecimento dos limites da competência. Não obstante, a outra alternativa é ainda mais vergonhosa: Forçar a passagem para a reserva, por iniciativa própria, de oficiais-generais valorosos, como todos deveriam ser, mediante o uso de subterfúgio ardiloso, para, mais tarde, promover algum eleito, sem correr os riscos que os procedimentos transparentes implicariam. Embora desnecessário, faço questão de afirmar que, absolutamente, não se trata de contrariedade com as duas promoções havidas. Elas foram justas, esperadas, mais do que merecidas e, ainda mais, foram promovidos os dois mais antigos! Promover apenas dois Tenentes-Brigadeiros, sim, parece muito pouco para uma turma tão grande que fez doze Brigadeiros e sete Majores-Brigadeiros, todos respeitadíssimos. A expectativa de três parece razoável, mas sonhar com quatro, três Aviadores e um do Quadro Extra, não seria uma expectativa descabida. Não vem, por outro lado, do pequeno número de promovidos a Tenente-Brigadeiro, na turma, a motivação para que o ssunto fosse tratado. Mais promoções poderia ser um desejo intenso, mas nunca uma necessidade imperiosa. Este é, aliás, um artigo que não gostaria de ter escrito, pois estou consciente de que poderei magoar companheiros de quem eu gosto e a quem muito admiro e respeito. Se o faço, não é por vontade, mas por incontornável sentimento de dever. Não há como aceitar o desrespeito com que foram tratados oficiais-generais que absolutamente não o mereciam. É inadmissível o ataque covarde às pessoas de quatro estimadíssimos companheiros. Ataque covarde, sim, principalmente porque procurou usar, como arma contra eles, a vergonha, virtude tão rara, que tanto lhes sobra e que a tantos falta. Por mais valor que tenha um oficial e por mais que convenha a determinada administração a sua promoção, não haveria outra maneira de fazê-lo que não implicasse em conseqüências tão desumanas? Resta-nos esperar que o único companheiro que ainda não passou para a reserva permaneça e que, ao decidir sobre a próxima vaga, o Alto-Comando restabeleça os caminhos da normalidade. Existem, entre os constituintes do Alto-Comando que, previsivelmente, decidirá sobre o assunto, Oficiais-Generais, de rara dignidade, atentos à realidade brasileira e às necessidades da Aeronáutica, que não se deixarão influenciar por agendas ocultas, nem concordarão em participar de conchavos ou outros expedientes. Sendo assim, votarão com suas consciências, o que nos traz a esperança de que o caso não esteja, definitivamente, encerrado. Seja como for, grande parte do mal já foi feita.

Meus estimados companheiros, vocês chegaram até onde poucos chegam, e se mais longe não foram, não é a vocês que o fato desqualifica. Vocês são respeitados, queridos, amados por todos que tiveram o privilégio de conhecê-los. Vocês nunca serão esquecidos. Pelo contrário, serão sempre procurados. Isso é privilégio das pessoas nobres. Os mesquinhos ficarão sós, quando forem apeados do poder. Nada mais triste, mas a vida é assim. Mesmo quando se prolongam as benesses, um dia tudo isso acaba, e é duro o esquecimento. Vocês, porém, sempre terão um lugar cativo nos corações dos seus companheiros de turma e dos muitos admiradores e amigos que fizeram ao longo desses quarenta e três anos de plenas realizações. Felizmente, vocês absorveram com tanta serenidade a agressão gratuita. A indignação é, justamente, dos seus companheiros, amigos e admiradores que por mim se manifestam. Vocês não precisam de promoção. Já são cidadãos de cinco estrelas.

Meus parabéns,

57-04, Luís Mauro
lmauro@uol.com.br


DESABAFO
Será ainda Possível?


Maj Brig Manoel Carlos em seu discurso de despedida da FAB

Companheiros da nossa Turma! Os últimos acontecimentos, com respeito a futuras promoções de Oficiais Generais, trouxeram dúvidas às minhas convicções. Não sobre a Organização "Força Aérea", mas com respeito aos homens que a dirigem. Quando os valores humanos são substituídos por números, ou a "estratégia" está muito acima das nossas inteligências, ou estamos sendo "subestimados". Isso mexe um pouco com a gente que ama a nossa Força Aérea... Ora, todos sabemos que os valores da Organização são espelhados nos valores dos seus componentes, sobretudo nos de seus dirigentes. Quando as coisas vão bem ou vão mal, são os reflexos da administração que se fazem presentes (por favor, não me venham com a desculpa de que quando as coisas vão mal "a culpa é da conjuntura do país"!). Quando temos disponibilidade de valores humanos e esses valores são desperdiçados por uma pura "definição momentânea" de números, temos de parar para pensar. Em março próximo serão promovidos dois companheiros da nossa Turma de 62 a Tenente-Brigadeiro, último posto da carreira - os dois mais antigos Majores-Brigadeiros atualmente na ativa. Merecida e meritoriamente. Até aí, tudo bem. Todos concordamos, não há o que discutir. O que não se compreende é que os demais da mesma Turma tenham sido avisados de que não mais concorrerão às futuras vagas! Que as próximas vagas serão preenchidas pela turma seguinte. Por que tal decisão com tamanha antecedência? Deles foi tirado o direito de concorrer... Apesar de ser "por escolha", parece que "escolheram" um ano antes... Um ano antes!!! Será que essa atitude era indispensável para que a Força Aérea fosse melhorada? Será um ajuste porque temos valores "muito superiores" a eles em Generais mais modernos e que devam ser aproveitados antes? Entrou que tipo de interesses nessa definição de "números" para "melhorarmos" a nossa Força Aérea no futuro? Uma definição política, entre amigos, ou porque os excelentes valores atuais da turma de 62 não interessam mais? Deram carona "virtual" em Generais respeitados com mais de 40 anos dedicados à Força Aérea, por antecipação!!! Parece que não os querem mais. Parece uma "forçada" para abrir vagas porque têm outros "mais bem preparados para assumir posições chaves e que poderão fazer mais e melhor pela Força Aérea do que eles". Isso é um estímulo ao desestímulo. O que os comandados desses Brigadeiros vão pensar deles? Certamente já estão pensando que têm um Comandante a quem a Força Aérea já disse que não é necessário, que não o quer, mais, com um ano de antecedência. Como esses Brigadeiros se estão sentindo, perante os seus comandados? Perante os seus pares? Perante a Força Aérea? Eu nunca tinha visto antes uma "carona antecipada", um "aviso prévio" de um ano! Coisas que minha inteligência não consegue entender. Pelo menos eles merecem um pouco de respeito e dignidade, pois esses homens deram, até agora, o melhor de suas vidas à Força Aérea. Aliás, dignidade, ética e moral são os baluartes de uma Organização decente e honrada e é o que desejo para a nossa Força Aérea Brasileira. Posso estar errado, mas se a Força Aérea vai bem, está coesa, forte operacional-mente, organizada, bem estruturada, com seu pessoal confiante no futuro, muito bem, parabéns aos que estão à frente dela, pois têm a coragem de agir dessa forma "estratégica", para melhorá-la, cada vez mais. Entretanto, se a nossa Força Aérea não vai bem operacionalmente, se sua organização e sua estrutura não estão correspondendo aos anseios de todos, é porque os valores atuais estão invertidos, principalmente com tomadas de decisão tão sem ética, como essa. A isso não parabenizo. Talvez o destino deu à Força Aérea o caminho mais tortuoso e tempestuoso para, que, algum dia, ela alcançe sua plenitude. "Deus escreve certo por linhas tortas". Coisa que os homens, muitas ve-zes, não entendem bem - acho que deve ser isso! Dedico esta mensagem aos meus companheiros de turma, Majores-Brigadeiros Aluizio Weber, Manoel Carlos Pereira, Antônio dos Santos Seixas e Marcus Vinícius Pinto Costa.

"Se algum dia vocês forem surpreendidos pela ingratidão, não deixem de crer na vida, de engrandecê-la pela decência, de construí-la pelo trabalho.
Edson Queiroz

57-87, Luzardo
luzardo@roadnet.com.br



NOTA

Os nossos companheiros, 57-04, Luís Mauro e 57-87, Luzardo, procuraram traduzir, acima, o sentimento de indignação dos colegas de turma e amigos dos quatro companheiros citados. Se, às vezes, foram muito severos, é compreensível, considerando-se a intensa carga emocional que os fatos deflagraram. De qualquer forma, devemos permanecer atentos, porque somos todos responsáveis, por ação ou omissão, por tudo aquilo que nos acontece. Por tudo isso, repetimos com o Brigadeiro Ercio Braga, Presidente do Clube da Aeronáutica:

"Eu me orgulho de ser cidadão brasileiro e não permitirei que destruam a minha Pátria".

A REDAÇÃO


Al. 58-259, BAIANO, O AMIGO INESQUECÍVEL


O nosso 57-259 Carlos Alberto Pereira Brandão, ainda cadete, em frente ao Si na Escola de Aeronáutica

Grande piada, "Brandão", você nos pregar uma peça em pleno ano 2000. E eu que acreditava que, como bom "carioca da gema", estaria sempre imune a qualquer "trote" dado, principalmente, por um amigo baiano. Para dar sentido a esta afirmação, tenho que me reportar ao ano de 1959, quando no primeiro final de semana, após a nossa chegada aos Afonsos, convidei alguns companheiros "laranjeiras" para, em nossa casa, em família, esquecer, o quanto possível, o "trote" que, naquele momento, se desenrolava a todo vapor. Claro que o convite foi feito àqueles com quem eu tinha mais intimidade, os pára-quedistas de 1958, em Barbacena, e, também, pelo fato de estarmos, no 2° ano consecutivo, à base de "trote" (que saco!, como diria o Baiano). Nessa primeira leva, lembro-me do Brandão, do William, do Reginaldo, do Sansão, e de um quinto cujo nome não me recordo, porque a memória, aos 60 anos, já está falhando. Quando esta matéria for publicada, com certeza, eu já terei oxigenado o cérebro, pedindo auxílio ao Reginaldo que, com aquela cabeça iluminada, vai esclarecer o assunto.


Ainda na E. Aer, à frete do velho Beechcraft C-45, os alunos 58-276,
Sérgio Ivan Pereira e 58-259, Carlos Alberto Pereira Brandão, o Baiano

Muito embora eu morasse num pequeno apartamento, havia acomodação para todos, e, até mesmo para aqueles que dormiram no chão, foi um grande barato aquele final de semana. Que saudade! À medida em que o tempo foi passando e o trote não representava mais obstáculo, cada um dos "laranjeiras" tomou seu rumo. Todavia, três deles permaneceram mais chegados e eram recebidos como se da família fossem, não só naquele ano, como durante todo tempo em que permanecemos nos Afonsos. Claro que, a partir daí, não mais semanalmente, mas sim todas as vezes que sentiam necessidade de um papo em família. Esses três companheiros eram o Brandão, o Reginaldo e o William. No caso do Brandão, havia ainda uma peculiaridade. Meu cunhado, marido da minha irmã mais velha, falecido faz 10 anos, também era baiano, e os dois, naquela gozação expansiva de baianos, fizeram uma grande amizade, o que proporcionou aos três ter mais uma casa para visitar e conviver. Foi muito legal aquele tempo. Qualquer tipo de reunião em casa, lá estavam eles, sempre presentes. Como já faziam parte da família, quando os meus parentes ou amigos me convidavam para qualquer evento, eles já sabiam que, se pudessem, lá estariam conosco.


O Baiano em família, no Corcovado

Para coroar aqueles primeiros meses de 59, combinamos passar as férias de meio do ano em Campinas, na casa do William. Não me lembro por que o Reginaldo não pôde ir. Parece que ele arranjou uma carona para o nordeste. E lá estávamos nós, eu e o Brandão. Que beleza de férias. Como nos divertimos naquelas duas semanas. Até hoje guardo com carinho as fotos em preto e branco daqueles dias. Em janeiro de 1961, outras férias marcariam esse nosso convívio. E agora o destino seria a pequena Ilhéus, na Bahia, terra do Baiano. Lá, na Av. Canavieiras, n° 111, morava o nosso companheiro Brandão... Que família agradável! Seus pais, Sylvia e Jayme (falecido); suas irmãs, Mariny, Marly e Lygia e o irmão, Lelo (só sei o apelido). Foi um mês maravilhoso. Eu era tratado com tanta gentileza e amabilidade que, às vezes me encabulava. Era só comer bem, dormir, ir à praia todos os dias e, à noite, passear pelos lugares imortalizados por Jorge Amado, no seu Gabriela, Cravo e Canela. Passamos o carnaval daquele ano, "numa boa".


À esquerda, em Campinas, no Campo, com o IVAN e o WILLIAM
À direita, ainda em Campinas, com o IVAN

Como a grana era curta, pulávamos o muro para entrar num dos Clubes, já dançando ao som do "Índio Quer Apito", grande sucesso da época. No final das férias, estávamos completamente sem dinheiro, "durangos" mesmo. Só nos restava, para retornar, enfrentar um ônibus que demorava não sei quanto tempo para chegar ao Rio. Já estávamos resignados com essa hipótese, quando, numa noite, encorajados por um amigo dele, arriscamos o pouco que ainda tínhamos num jogo que corria numa praça da cidade (ou era o próprio ou era parecido com o jogo do "bicho", até hoje não sei). Não importa, ganhamos o suficiente para comprar duas passagens de avião e chegar ao Rio, prontos para outra aventura. Infelizmente, a vida militar, após o término do curso, nos reservou rumos diferentes. Voltamos a nos encontrar, apenas, na EAOAR, em Cumbica (1970) e na ECEMAR (1979). Mesmo com o curto convívio, era sempre uma festa quando nos encontrávamos. Por isso, quando o Luís Mauro me ligou, por volta das 23:00h, para avisar que acabara de saber, já passados alguns dias, que tínhamos perdido mais um companheiro e me disse que se tratava do Brandão, não me contive e chorei como há muito não fazia. Liguei para o meu irmão que também era muito ligado ao Baiano e ele, que é membro da Igreja Messiânica, conseguiu consolar-me com aquele carinho que os irmãos dedicam aos caçulas.


Em Ilhéus, em sua casa na Rua Canavieiras nº 111 com o IVAN

Passados alguns dias, outra emoção. Toca o telefone e, ao atender, do outro lado, uma voz com baixa sonoridade indaga: -"Aí é a casa do Ivan?" Conclusão: era D. Sylvia, mãe do nosso querido e saudoso Baiano, que mora aqui, no Rio, já faz vinte anos e eu não sabia, convidando-me para a missa de 30 dias do nosso colega. Conversamos por vários minutos e, no dia marcado, lá estava eu, acompanhado da minha irmã (a do cunhado baiano), rezando pela alma do companheiro. Fiquei sabendo que, pouco antes de falecer, ele passou duas semanas aqui no Rio, com seus familiares, coisa que ele não fazia há muito tempo. Passou alguns dias com uma das irmãs que tem casa em Cabo Frio e curtiu bastante a mãe e a outra irmã que aqui moram. Ligou para algum colega de turma, pediu meu telefone e o deu para sua mãe. Voltou de Cabo Frio, de ônibus, num fim de semana. No domingo, retornou para Porto Alegre, de avião e, nesta mesma, semana nos deixou. Hei cara, porque você não me ligou? Já que, como tudo indica, você veio para se despedir da família, poderia ter-se despedido de mim também. Com toda certeza, você foi recebido no céu, de braços abertos, pelo William, que aí chegou prematuramente. Como amigo e veterano, vai ensinar-lhe o caminho do bem. Claro que antes, vai-lhe dar, digo, já lhe deu algum trote, por todas aquelas vezes que você o chamou de cabeçudo.


Nos EUA, também com o IVAN, em Viagem de Estudos da ECEMAR, com um B-52 ao fundo

Bem camaradas, aos 60 anos, é quase impossível fazerem-se novas amizades. Por isso, é importante conservarmos e curtirmos todas as que temos. A perda do Baiano foi muito dura para mim e me deixou muitas recordações e muitas saudades. Até qualquer dia amigo. Quando nos encontrarmos de novo, vamos continuar aquela farra, agora quem sabe, sem precisarmos pular um muro daquela altura.

58-276, Ivan Pereira
sivanp@openlink.com.br


SOBRE O FOCH

Quanto ao artigo do jornalista Márcio Moreira Alves, de 14 de abril, sobre o porta-aviões Foch, tenho as seguintes observações a fazer: Primeiro, se existe fuligem na chaminé, não há dúvida de que foi gerada pela dita belonave. Um navio daquele tamanho, vendido a 45 milhões de dólares, é um grande negócio. Talvez o material de que é feito valha mais do que isso. Ninguém se iluda, porém. Ele terá de sofrer reformas, que, qualquer leigo sabe, custarão muitos milhões de dólares mais. Quanto à manutenção e à operação, é provável que, só de gastos com o já existente Minas Gerais, se atinjam os 45 milhões de dólares por ano. É sabido que 40% de toda a força de uma esquadra se destina a defender o seu porta-aviões. Ou seja, a compra se torna uma bola-de-neve, os custos aumentam terrivelmente e o aumento na força não compensa. Haja vista que até o antigo míssil "Exocet" pode colocar fora de combate um alvo tão fácil (na superfície do oceano, tudo que não é água é navio). O outro grande inimigo das marinhas são os submarinos. Os aviões de ataque são péssimos no combate a submarinos, portanto os grandes aviões de patrulha é que resolvem. Sem dúvida, quando o porta-aviões está na zona de operações, seus aviões poderão ser utilizados ("a 100 km na proa"). Não nos podemos esquecer de que, para chegar à dita zona, o navio aeródromo, mesmo a 30 nós, leva dias! E, em lá chegando, é bom que já exista superioridade aérea! Os aviões baseados em terra, se necessário, levam poucas horas para atravessar o Atlântico! Só para lembrar, os pequeninos aviões Tucano já atravessaram o Atlântico Sul mais de uma centena de vezes, e sem reabastecer em vôo! Radares de grande alcance ao longo da costa, radares embarcados e grandes aviões de patrulha, são muito mais eficientes para detectar as ameaças às nossas plataformas e ao nosso litoral. Até as próprias plataformas podem fazer parte da rede de radares. O combate ao inimigo poderá ser iniciado, rapidamente, pelos aviões de patrulha e pelos demais aviões baseados em terra. Caso a ameaça persista, pode-se até esperar os navios chegarem. Por outro lado, se o Minas Gerais tem restrições de segurança para operar os aviões comprados ao Kuwait, por que, então, foram comprados? Vale a pena arriscar a vida dos jovens aviadores? Foi um erro de avaliação? Ou será que já estava previsto usá-los como justificativa para a compra de um navio maior (melhor?). Também não podemos esquecer de que o dinheiro que a Petrobrás paga de "direitos", também pertence ao povo brasileiro. Só porque existe, não há a obrigação de gastá-lo. Se a tal destinação for desnecessária, ou os gastos exagerados, que os recursos tenham outro destino. Quanto à afirmação de que a manutenção de outro porta-aviões não vai pesar no orçamento, é bom lembrar que o remanejamento de verbas é sinônimo de emergência ou de planejamento mal feito! Se é possível tirar verba de um lugar para colocar em outro, o primeiro, absolutamente, não a necessitava! Devemos lembrar também de que, após a entrada "em carga" de um equipamento público, a sua manutenção e a sua operação, nos anos seguintes, passa obrigatoriamente a fazer parte do orçamento. Por fim, a função do Minas era anti-submarino e, portanto, supunha-se, para emprego em ações de defesa. Os aviões de Ataque (A), já adquiridos, estarão definindo uma missão ofensiva? Será que estamos com idéias pouco pacíficas? Ou será que o nosso Excelentíssimo Presidente está com a "Síndrome de Juscelino" e, ao apoiar tal iniciativa, tenta diversionar seu desapreço à Força Aérea, procurando colocá-la contra a Marinha?

57-87, Duncan
duncan@openlink.com.br


FESTA DE NOSSA SENHORA ACHIROPITA

No mês de agosto, realiza-se a Festa de Nossa Senhora de Achiropita em homenagem à padroeira do bairro, devoção dos imigrantes calabreses que chegaram ao Bixiga no início deste século. Hoje grandiosa, em sua 74a edição, a Festa tornou-se um símbolo de fé, alegria e solidariedade, não só para o bairro, mas para toda a cidade de São Paulo. Cerca de 850 pessoas, todas voluntárias, trabalham, com amor e dedicação, durante cinco finais de semana para homenagear a Nossa Senhora e colaborar para a manutenção das Obras Sociais da Igreja. Milhares de visitante vêm participar dessa grande Festa, deliciando-se com as comidas típicas italianas e deixando-se contagiar pelo ambiente alegre e festivo, sob as bênçãos de Nossa Senhora Achiropita.

ORGANIZAÇÃO

A 74a Festa de N. Sra. Achiropita será realizada nos dias 5 e 6; 12 e 13; 18, 19 e 20; 26 e 27 de agosto e 2 e 3 de setembro. Como nos anos anteriores, acontecerá em três ambientes interligados:

- Na rua 13 de Maio, onde são instaladas 28 barracas nas quais o público poderá deliciar-se com variados pratos típicos italianos, como fogazzas, fricazzas, polentas, antepasti, peperoni, melanzanas ao forno, calabrezas, macarrão, pizzas e frango frito - temos também uma grande variedade de doces típicos como afogliatelli, canolli, etc. - vinho, chopp e refrigerantes também são servidos em quantidade e qualidade - as barracas na rua funcionam das 18 às 24 horas, com entrada livre;
- Na Cantina Madona Achiropita, onde, além do mesão com deliciosos pratos frios e quentes, há, ainda, música italiana ao vivo com diversos cantores, danças, leilões e sorteios de brindes - são servidas também deliciosas comidas típicas italianas, prepara-das carinhosamente pelas mamas de nossa cozinha que, desde as terças feiras, em todas as semanas, preparam as deliciosas iguarias: spaghetti à moda Achiropita, fogazza, fricazza, polentas, antepasti, peperoni, melanzanas ao forno, sardelas e muitas outras delícias; e
- Na igreja, onde ocorre a visitação a Nossa Senhora e são feitas orações, de hora em hora, são dadas bênçãos durante todo o transcorrer da festa - nestes momentos, costumeiramente, a Igreja fica completamente lotada de fiéis e, durante as bênçãos, a manifestação de fé em Nossa Senhora Achiropita é indescritível - estima-se a presença de 150 000 pessoas e é previsto um consumo de 8 000 quilos de farinha de trigo, 9 000 quilos de spaghetti, 3 000 latas de óleo, 500 quilos de mussarela, 3 000 quilos de lingüiça, 5 000 quilos de carne, 10 000 litros de vinho, 15 000 de chopp e 15 000 de refrigerante.

ATRAÇÕES ESPECIAIS:

- A linha de produção de fogazza, com mais de 110 pessoas preparando essa deliciosa comida italiana, com inconfundível qualidade e um toque muito especial;
- O queijo provolone com dois metros de comprimento e mais ou menos 100 quilos, um dos prêmios mais cobiçados da Festa; e
- Prêmios variados que são regularmente sorteados.

Esta é a propaganda oficial da Festa de N. S. Achiropita. A Turma 57-BQ não poderia ficar ausente. Para assegurar a nossa presença, o Sucupira já reservou uma grande mesa para o dia 19 de agosto. O preço é de R$ 35,00, por pessoa e as adesões poderão ser feitas com o 57-55, Amorim, pelos tele-fones: (021) 771-7522 e 673-8313. As informações sobre transporte e hospedagem serão enviadas por correspondência. As famílias (esposas, filhos, netos) serão muito bem-vindas!


NOVA FASE

O CON*DOR está entrando em uma nova fase. A produção será feita agora, a preço de custo, pela Editora Luzes, do nosso companheiro de Barbacena 60-93, Ubirajara. Desta vez, as alterações, fugindo à tradição, estão sendo introduzidas, em caráter experimental, na edição Mai-Jun. Se aprovadas, serão efetivadas, como sempre, na edição Nov-Dez. Prezados colegas, mandem seus comentários e colaborações para o.con-dor@uol.com.br ou lmauro@uol.com.br. Precisamos muito do seu apoio e dos seus artigos.

A REDAÇÃO


O CON*DOR

O Con*dor é uma publicação sem fins lucrativos, destinada à divulgação de assuntos de interesse da Turma 57-BQ/Aspirantes 62, a Turma Quase Perfeita. Está, porém, aberto a companheiros de outras turmas que, com ele, queiram colaborar. É editado, bimestralmente, sob a responsabilidade da Representação da Turma.

Coordenação Geral:

Al. 57-40, João Carlos
Conselho Editorial:
Al. 57-09, Pontes
Al. 57-78, Horta
Al. 57-129, Meira
Al. 57-139, Elson
Al. 57-161, Amado
Al. 58-258, Cubas
Al. 58-276, Ivan
Editores:
Al. 57-04, Luís Mauro
Al. 57-15, Neves
Jornalista Responsável:
Carlos Rogério C. Baptista
Nº 17.997/94
Telefone da Redação:
(21) 247-6385
E-mail:
o.con-dor@uol.com.br
Homepage:
57bq.cjb.net



[ VOLTAR ]