O CON*DORANO II - NÚMERO 11 - DEZ/97
BOLETIM INFORMATIVO DA TURMA 57-BQ/ASPIRANTES 62.
Foi muita emoção. Cinqüenta e seis companheiros da Turma Quase Perfeita e mais vinte e três acompanhantes reuniram-se no "lendário Campo dos Afonsos" no sábado 13 de dezembro. Os Aspirantes de 62 completavam 35 anos de formados e os demais componentes da Turma aproveitaram para fazer a festa. Às nove horas já se reuniam no pórtico de entrada do antigo Corpo de Cadetes e as lembranças vieram aos borbotões. O monumento ao cadete Imortal; os latões com chocolate, as camas para arrumar, os armários de madeira, as escadas, o pátio de formatura... Tudo estava ali, diante e dentro de nós. Depois o roteiro de recordações: o 1º Hangar, a sala de link-training, agora o Museu Aeroespacial. Na pista de pouso, como se fosse encomendado havia um campeonato de aeromodelismo. Depois a revoada de ultraleves organizada pelo Brigadeiro Danilo. De volta ao Museu, ciceroneados pelo próprio Diretor, o incansável Cel Jordão, o passeio por entre as águias em repouso. Um olhar especial para o Focker T-21 e para o NA T-6, máquinas de sonho para uns e de desencanto para outros. Máquina não tem mesmo coração. Depois a demonstração de técnica e bravura do Coronel Antônio Arthur BRAGA - o eterno líder da Esquadrilha da Fumaça, que sempre encanta e emociona a todos demonstrando que o tempo não passa no coração do piloto de acrobacia. Na Igreja, contritos, antes que o capelão abençosse a Turma Quase Perfeita, os antigos "Anjos de Bataréia", desafinadíssimos, cantaram: Derrama, Senhor, sobre nós o seu amor! A "foto oficial" foi no velho ginásio de esportes, onde o Seixas fazia diabruras na cama elástica e o Marinho junto com o Cisne se revelaram estrelas no vôlei, a ponto de serem autorizados a sair à noite para jogar pelo Botafogo. Foram campeões em 59. No coquetel que antecedeu ao almoço o Manoel Carlos, acabou revelando o que foi que o Fernando Henrique disse a ele no último almoço com os Oficiais generais, em Brasília:
O almoço foi ótimo. O Brigadeiro Bastos, atual Comandante da ECEMAR e da Guarnição dos Afonsos, foi gentil e facilitou enormemente o trabalho de organização da festa. A ele fica a Turma Quase Perfeita imensamente agradecida. Depois do almoço o Cardoso deu uma canja. Até o Capelão não dispensou o microfone e deu o seu recado musical. O Cubas não perdoou e disse:
Em BQ-57 a tudo e a todos se perdoava, menos paulista. Ninguém sofria patrulhamento mais intenso do que a paulistada. Não se sabe quando, nem como, mas BQ cunhou a mais terrível e também a mais "bem acabada" definição sobre "eles": aquela do "NEM TODO..." Deslavada mentira? Carapeta? Verdade de fato? Inveja de cariocas? Vingança de gaúchos? Intriga de mineiros? Despeito de aratacas? Talvez tudo isso. Ninguém resistiu tão brava e elegantemente às mais agressivas gozações. Nós outros não perdoávamos mesmo era o fato deles serem descendentes dos Bandeirantes; dos heróis constitucionalistas de 32. Eles tinham sangue (azul?) dos que há quatrocentos anos vinham provando ser os brasileiros melhor realizados. Tradition! Ninguém tinha, só eles... Naquele tempo nós acreditávamos em pioneirismo, heroísmo, nobreza, tradição, cegonha e papai Noel. Acossados, alguns deles reagiam; outros pouco se importavam (aparentemente). A maioria ria amarelo. Todos se defendiam galhardamente ao se verem cercados pelos nativos do resto da federação. Mas eles eram diferentes mesmo. Mais brancos, mais desempenados, mais elegantes, mais informados. Tinham as melhores roupas civis - melhor adaptadas ao clima frio de BQ. Falavam de um jeito diferente; meio italiano, meio caipira, Ninguém pode esquecer deles. Produziram a elite da Turma; ou já o seriam antes de chegar a BQ? Eram (e são) conhecidos pelos nomes completos, de letras dobradas, coisa de nobre: João Lúcio Gatti; George William Cesar de Araripe Sucupira; Mannoel Carlos Pereira. Esse Manoel deveria ser com dois enes. Alguns deles nunca mais voltaram, a morar em São Paulo; percorreram longos caminhos, se tornaram homens do mundo. Outros voltaram às origens e enriqueceram (ainda mais) a si e à terra abençoada por Anchieta. E o resto? Bem, o resto anda por aí. Alguns, ainda, nadando, nadando e certamente vão morrer na praia. Mas em compensação - que bronzeados!!!
57-15, Neves.
Primeiros meses de 1959; Campo dos Afonsos: estava aberta a temporada de caça aos bichos. Estes eram facilmente identificáveis porque, além do seu semblante característico, ainda vestiam o fardamento cáqui, quando a cadetada já estava de azul. Por simples e justificável questão de sobrevivência nós, os bichos, após o jantar tínhamos que nos esgueirar pelas sombras e desaparecer, só voltando para o alojamento para a revista do recolher e depois, de madrugada, quando o "inimigo" já estava dormindo. Um dos esconderijos pouco 'manjados' era atrás das cadeiras de espaldar alto, da 1ª ELO. Seu único inconveniente eram os ataques dos vorazes pernilongos, que quase nos induziam à rendição. Numa daquelas noite, bem tarde, estávamos lá o Lilico, eu e outros, quando, subitamente, um facho de luz iluminou o rosto do Lilico e ouviu-se:
57-171 Schneider
Parabéns da Turma para os amigos:
Esse Con*dor não tem jeito, no último número, deixamos de publicar dois aniversários: no dia 12 de novembro, o do 57-12, Manoel Carlos Pereira; e no dia 8 de dezembro, o do 57-22, José Antônio dos Santos Raposo. Brasília ficou engalanada naquelas datas. Pior que isso: há dois anos não publicamos o aniversário do 57-10, Márcio da Cunha Gomes Carneiro, que ocorre no dia 19 de maio. Só mesmo a nobreza d'alma desses amigos perdoaria tantas falhas.
O Ranulfo Porto eufórico com o sucesso que foi o fim de semana, no qual parte da turma lotou a Pousada Sal & Sol, abriu o livro e contou estórias protagonizadas pelo Ângelo Horta Hortega, que não só as ouviu, como confirmou. Assim falou o Porto:
"Estávamos no 3o ano da EPCAr, já, nos Afonsos. Naquele dia eu estava de chefe de Turma. A jornada começava com aula de E.F.. O Horta não apareceu; quebramos o galho dele. Formatura matinal, o Horta não apareceu; quebramos o galho dele. Fomos para a sala de aula e o "professor" Horta não apareceu. Eu estava nervoso, sem saber o que mais fazer para encobrir a ausência do amigo. O professor Liberato já fazia sua explanação; eis que olho para a janela que dava para o jardim e vejo o Horta todo esfarrapado, sujo, esgueirando-se junto à parede. Quando ele percebeu que eu o via suplicou: Pega a minha farda! Tratei de sair e fui ao alojamento pegar uma farda para o cara escapar da "arribação". E ele escapou... Como tem sorte o Hortega! A estória que depois ele nos contou foi emocionante. Na noite anterior escapara da Escola e pela redondeza encontrou uma moça nativa que de pronto encantou-se com aquele rapagão, bem trajado numa jaqueta de couro e calça de tergal. A jaqueta fora emprestada pelo Cabeção; a calça era presente da mãe dele e um lançamento da Ducal - não amassava nem perdia o vinco... Logo o convidou para uma cerveja e salgadinhos na casa dela.. O Horta que adorava uns salgadinhos de subúrbio aceitou.. Em lá estando, bebe daqui, come dali, os dois começaram um "amasso". Toca a campainha, ao mesmo tempo uma chave gira na fechadura da porta de entrada. A moça se recompôs e deu a ordem:
57-101 Porto.
Estávamos na Pousada Sol & Sal ou Sal & Sol - a ordem dos fatores não altera o ocorrido. O importante é que essa maravilhosa Pousada pertence ao Porto, e foi lá que uma parte da Quase Perfeita resolveu passar um inesquecível fim de semana. Alguém poderia esquecer um fim de semana no mesmo lugar onde estivessem o Zé Nelson, o Campão, o Lilico, o Montéro, o Cardoso, o Joãozinho 40 e o anfitrião Ranulfo Porto? Nem esclerosado esquece. Pois bem, logo na chegada, o Montéro, certamente feliz por poder conviver dois dias inteirinhos ao lado do seu (dele) ídolo, o 40; resolveu mostrar que o tempo não lhe fizera grande estrago e exibindo o seu físico invejável com uma sunga sexy, resolveu tomar banho de ducha, antes de mergulhar na piscina da Pousada. Perfilou-se debaixo da ducha e ficou olhando ao redor com aquele ar de inteligência... Como e onde abrir a água? Um companheiro que observava, percebendo a dificuldade do Montéro, disse para ele que era só meter o dedo no buraco que havia no meio da ducha que a água cairia. Nesse instante, lá de longe, o Cardoso, aciona com o pé o registro propositadamente malocado.. Com espanto, o Montéro vendo a água cair, faz a pergunta:
Às duas horas da manhã, depois de muito "goró" e muita seresta, o Reis, nosso querido Campão, resolveu colocar um CD só de piadas no equipamento de som, que ele cuidadosamente transportara. A traquitana que o Campos arranjou parecia uma daquelas geringonças sonoras que "peão" leva para obra. Depois de toda a engenharia prá fazer a tralha falar, o som do CD saiu péssimo. Mas para o espanto de todos, no afã de uma melhor "transmissão", com a maior serenidade, e demonstrando que de CD ele entende, o Campão puxa a antena da máquina diabólica na certeza de que o som sairia com maior clareza. Acabou inventando o primeiro CD com antena do mundo. Acredite quem quiser. Essas coisa só acontecem na Pousada do Porto...
59-354, Guedes.
-"E o SIVAN, como é que vai? Mas essa pergunta não foi para mim, foi para outro Brigadeiro que estava a meu lado..."
- "Gostei de ver o senhor, padre, cantar 'prá God'!
OS PAULISTAS
BICHARAL ESPERTO
- "Bicho, o que você está fazendo aqui, tá dando o golpe?"
"Não, Senhor Cadete, estou procurando o meu "amo", respondeu o golpista com a voz sumida.
"E quem é o seu amo, bicho?"
"É o Cadete Medina, meu bom veterano..."
Iluminando-se com o facho de luz, o próprio Cadete Medina perguntou:
"É a MIM que você está procurando???
E o Lilico, mostrando alegria:
"Encontrei! Encontrei! Encontrei!"
ANIVERSARIANTES DE JANEIRO
Dia 4 Alfano, Cad 60-114.
Dia 5 Gerson, Cad 60-131.
Dia 6 Francalacci, 57-153.
Dia 6 Wilson, 57-27.
Dia 6 Beutner, 57-65.
Dia 9 Consentino, 58-285.
Dia 18 Carlos da Cunha, 57-26.
Dia 21 Amilcar, 57-72.
Dia 26 Coelho, Cad 60-112.
Dia 26 Palmero, 57-145.
Dia 30 Archimedes, 58-283.
MIL DESCULPAS
NO DECK
- "Se manda que o cara tá chegando! Ele é marinheiro, invocadão e outra vez o navio dele não deslocou. Pula pela janela".
O Horta só então percebeu que estava no segundo andar. Ao lado havia um terreno baldio, armou o "salto-peixe" e.... caiu sobre o arame farpado de uma cerca. Tentou rolar e rasgou a roupa; pensou em correr e perdeu um dos sapatos; tropeçou no mato e caiu na terra barrenta e molhada de um fundo de quintal do subúrbio de Rocha Miranda. Por sorte, dali prá frente não havia muro, nem cachorros, só arame farpado que a cada atravessada deixava um rasgão a mais. Desse jeito chegou à Escola e eu, quando o vi naquele estado lastimável, perguntei:
- "Foste atropelado por um lotação?"
Ele respondeu:
- "Não; por um marujo!"
E acrescentou:
- "Eu tive sorte, porque ele não tinha revólver, só uma foice que ficou cravada na porta do quarto que ele não conseguia abrir. Enquanto eu me jogava pela janela, o marujo chamava a mulher de tudo, menos de santa".
Conhecendo bem o Horta eu perguntei:
- "E quantos anos tinha a "moça"?"
- "Sei lá. Passava dos cinqüenta."
ACREDITE QUEM QUISER
- "E para desligar?"
Um outro companheiro responde:
- "É o mesmo procedimento. Basta enfiar o dedo no buraco da ducha!..."
O Montéro meteu o dedo e a água não parava de cair. Até que o Porto, com seu habitual bom humor berrou pro Montéro:
- "Essa ducha tem comando elétrico, seu panaca, tira o dedo desse buraco que você ainda acaba eletrocutado!"
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