O CON*DOR

ANO II - NÚMERO 8 - AGO/SET de 1997

BOLETIM INFORMATIVO DA TURMA 57-BQ/ASPIRANTES 62


DESPEDIDA DA ESCOLA DE AERONÁUTICA

O alojamento está vazio., silencioso, sem ninguém... Miro as camas nuas e alinhadas, apanho a mala e sigo... E ao percorrer-te agora, vem-me à lembrança uma noite distante, há alguns anos, quando aqui chegamos. Éramos então quase crianças. Trazíamos sonhos e esperanças e, hoje, porque esses sonhos se tornaram realidade, nós te somos gratos. Aonde formos levaremos sempre na lembrança a tua imagem nesta imensidão verde. E, em nossas recordações, haveremos de ver-te alegre em teus dias de gala, ou triste em teus dias de luto. E veremos teus poentes coloridos, teu céu estrelado em noites de julho... Sentiremos falta das sombras de tuas árvores, das flores, dos teus jardins, da brisa nas palmeiras... Estamos tristes por termo de te deixar, mas sabes que reconhecemos termos uma missão a cumprir. Esta missão foste tu que nos indicaste. Por isso partimos confiantes, seguros de que haveremos de dar o máximo de nossos esforços para que teu nomese eleve cada vez mais, para que tua tradição seja imperecível... E, por onde aandarmos, haveremos de vibrar toda a vez que ouvirmos o teu nome. Pois sempre nos orgulharemos de havermos sido Cadetes da ESCOLA DE AERONÁUTICA DOS AFONSOS!

À última página da Esquadrilha de 1962, recolhemos esta preciosidade do Ornelas, que em BQ era o 58-266

57-40, João Carlos



NO DECK DO CLUBE DE AERONÁUTICA, ENTRE UMAS E OUTRAS

SÓ PODIA SER...

O Zé Nelson e o Cardoso, entre cervejas e anedotas, relacionavam coisas que ninguém viu: POSTER DE SOGRA, ENTERRO DE ANÃO e EX-GAY.



ALTOS TEMAS...

Numa das pontas da mesa enorme (compareceram 26) o Luís Mauro, ladeado por Amado, Laílo e Clarindo, discorria sobre a aerodinâmica dos besouros e a atração sexual irresistível que eles, os besouros, têm por maracujá. Todos eles a-do-ram batida de maracujá.



SINAL DOS TEMPOS...

Há quarenta anos todos nós só chamamos o Cardoso de Cardico - saberes ligados à Química aprendidos em BQ; essa "reação" foi descoberta pelo Duque. Pois não é que o Hortega, agora, anda chamando o nosso violeiro de Cardíaco?



SÓ DAVA MALANDRO...

O nosso IVAN, 57-126, sempre tão calado e tão tímido, não compareceu à nossa última reunião, porém não escapou de ser lembrado em histórias dos anos dourados. Contaram que ele era tão discreto que faltava à instrução de vôo e nem o intrutor, nem os colegas, percebiam. No alojamento dos Afonsos ele sempre mantinha uma trouxa de roupa perto do armário ou da cama. O Cardico já estava intrigado com aquele fardo de roupa e não segurou a curiosidade: "Ó Ivan, que trouxa é essa que você tem sempre a seu lado e carrega pra onde vai?" A resposta foi simples: "É o meu escudo. Quando um veterano me pega para dar um trote, eu digo que tenho de levar a roupa de meu amo para a lavanderia, e assim o veterano me dispensa..."



DE POETA...

Depois de ouvir, contrito, o 57-04 por uma hora, o Clarindo, atendendo a pedidos, levantou-se e declamou, de sua autoria, o emocionante poema "A POLINIZAÇÃO". Cervejada também é cultura!



GENTE FINA...

Nada pôde interferir na conversa de alto nível que mantinham o Brito, o Pena e o Schubnell. Os três vestiam terno com gravata. O Schubnell fumava um charuto, o Pena falava em tom reservado pelo celular e o Brito, ah! o Brito fazia anotações e, a cada cinco minutos, um telefonema. Tudo diante dos olhos esbugalhados do Mikimba que, do outro lado da mesa, não entendia o por quê de tanta confabulação em uma simples reunião de Turma. Mikimba, volta pra tua B-52, que ela ainda te ama...



BENDITA VOLTA...

A "nosso bem" voltou a servir as mesas do deck. É acerteza de que não haverá mais demora para trazer cerveja gelada.



UMA DO CARDOSO...

Num certo zoológico vivia um casal daqueles primatas antropomorfos grandes e fortes, cujos membros têm proporções quase humanas, conhecidos por gorilas. Era, porém, o último casal com características raras. Havia risco de extinção, e os veterinários estabeleceram um plano para que a fêmea, em condições favoráveis, fosse fertilizada pelo macho. Tudo pronto marcaram o Dia D. Ó fados, no dia D-1 o gorilão, cheio de energia e pressentindo a festa, começou a pular excitado na jaula solitária onde estava em regime de concentração. Caiu, bateu com a cabeça e morreu. Desespero geral. E agora? A macaca estava no ponto. O que fazer. Nisso, um ajudantezinho, mineiro, disse mansamente: "Bão, eu conheço um português danado de peludo, que mais parece um macaco..." "Tragam o português!", ordenou o chefão. "Vamos apostar nos genes da macaca!" O peludo chegou. Explicaram-lhe o plano e acrescentaram, a título de suborno: "E tem uma grana de 200 reais..." O português coçou os pelos do peito e olhou a macaca que lhe piscou um olho. Ele sentiu firmeza, respirou fundo e disse: Eu topo, mas imponho três condições...

Nota da Redação: Em atenção às famílias qie lêem O CON*DOR, censuramos(!) o restante da anedota. Para saber o final compareça na próxima terceira terça-feira à reunião da Turma.



CARTA ABERTA

Amigo Seixas,

Você está fazendo falta. Não que o Joãozinho 40 não consiga manter a disciplina no deck; ele fica com a jugular estufada mas consegue. Duro, por duro, ele também se faz, mas ninguém consegue endurecer sem perder a ternura como você. Essa frase talvez não lhe agrade muito politicamente mas, enfim, é um sinal dos tempos. Esperamos que você esteja se entendendo bem com os caciques aí na Amazônia. Parece que não é lá muito fácil, principalmente para que tem regras morais bem definidas assim como você, e esses ídios aí gostam mesmo é de apito. Consta que por essa região existe, ou existia, uma tribo de hábitos diferentes chamada Parintintim. Lendas e mistérios da Amazônia...

As reuniões da Turma Quase Perfeita, em cada terceira terça-feira do mês, têm sido bastante divertidas. Talvez você estranhasse a quantidade de piadas sobre gays que andam contando. Quando você estava presente não eram muitas; pelo menos não as encenavam com tanto esmero... Quem sabe não se neutralizaria o aumento daquele tema desmunhecativo se você mandasse umas de Saci-Pererê ou do Boto?

O nosso querido Dr. Cubas continua um grande contador de histórias, mas é acusado de contar anedotas que já circulavam pelo alojamento da 2ª Esquadrilha em 1958!

Perdoe-me, mas isso não passa de papo furado e conversa de botequim. O que nós queremos dizer é que estamos com uma bruta saudade de você. Quando puder deixe de lado os arcos e as flechas, pegue uma carona com o Curupira nas asas do vento e venha bebericar com a sua Turma, que certamente não é essa daí. Abraços de todos, especialmente do

Neves, 57-15



UM SONHO A PRESERVAR

Outro dia eu estava fazendo cojecturas sobre como poderia ser o grande encontro, daqui a dez anos, quando me dei conta que, muito mais importante do que os encontros intermediários - na forma como eu imaginara antes - é a existência do nosso O CON*DOR. Foi por meio dele que conseguimos manter informada tanta gente espalhada por esse Brasil. E foi também graças a ele, que arregimentamos os mais de cem participantes daquela confraternização maravilhosa. Tal constatação traz a todos nós, partícipes daquele evento - que já começamos a sonhar com o dos 50 anos -, uma grande responsabilidade, qual seja de mantê-lo bem vivo e circulando mensalmente. Entretanto, para que isso seja possível é fundamental, além daquela contribuição semestral que nos foi solicitada pela Comissão, a nossa participação no seu conteúdo, enviando matérias para o nosso incansável Redator-Chefe. Se cada um escrevesse meia-duzia de linhas anualmente, teríamos material para garantir a edição de O CON*DOR nos próximos dez anos. Enquanto o grande dia não chega vamos precisar, sempre, do apoio de todos os colaboradores - quanto mais melhor - da nossa "TURMA QUASE PERFEITA". Após 2007... Bem, daí pra frente só Deus sabe.

57-13, Nunes



ANIVERSARIANTES DE SETEMBRO

Eles são uma parada!
01 - Luiz Henrique, 57-102
02 - Góis, 58-274
09 - Ivaldo, 58-286
13 - Rudá, 57-20
16 - Rego, 57-38
19 - Euclides, 59-350
22 - Duncan, 57-83
24 - Machado, 57-01



UM DIA INESQUECÍVEL

Praticamente estávamos em férias, 29 de junho de 1958, dia em que o Brasil derrotou a seleção sueca por 5x2 e sagrou-se Campeão Mundial de Futebol, conquistando pela primeira vea a Taça Jules Rimet. Nesse dia nasceram os grandes idolos do futebol brasileiro: Didi, Pelé e Garrincha. O Fullman teve a bela idéia de colocar os alto-falantes na boa e velha paineira do pa'tio do Cassino. Todos nós, sentados no chão de terra, ouvíamos mudos de emoção o locutor narrar, em meio a ruídos que pareciam ora de vento, ora de ondas do mar, os lances dos craques de ouro. Mal o jogo acabou, explodimos de alegria. Emocionava e contagiava a todos a vibração de um bloco que logo se formou. Os laranjeiras, legítimos e eventuais, em ritmo de carnaval, arranjaram uns poucos instrumentos emprestados pela Banda de Música da Escola. O Comando deu permissão e eles saíram fantasiados, e de cara pintada, a subir e descer as ladeiras de BQ. A memória gravou, dentre outras imagens preciosas, a figura do HECLELINO MARTINS GONZALES, 57-104, no momento em que o bloco passava pelo Portão da Guarda. O comedido Gonzales deixou de lado a sua inflexível postura militar e, patriotivcamente enrodilhado numa tuba quase do tamanho dele, acentuou a marcação do ritmo com expressões faciais e corporais indescritíveis. Ninguém o imaginava musical e histriônico. Ao lado do pequenino Gonzales e sua enorme tuba, o JAIR SOARES, 57-48, carioca típico, cheio de ginga, batia de qualquer jeito um bumbo bem na altura do ouvido do Gonzales, esparring permanente das gozações do 48, que nunca dava sossego ao baixinho caxias. Afinal pouco importava a harmonia, o negócio era alegria e muita zorra. BQ nunca imaginou ver um dia os "cadetes"assim, literalmente endemoniados. À noite, no alojamento depois da grande zoada, exaustos, todos viram o moleque grandalhão, o Jair, abraçado ao pequenino soldade de chumbo, o Gonzales. Viava a pátria do futebol! Eles que se "desconheciam" e que se "estranhavam" com frequência, tão diferentes eram os temperamentos, descobriram que tinham algo em comum... BRASIIIILLLL!!!


Você está lendo O CON*DOR de agosto/setembro de 1997

[VOLTAR]